Violência deixa cinco mortos no oeste da China, diz governo

Cinco pessoas morreram nesta semana em meio a uma onda de protestos em Urumqi, capital da província de Xinjiang, no oeste da China, declarou nesta sexta-feira o vice-prefeito da cidade.

BBC Brasil |

Há três dias a cidade tem sido palco de manifestações de chineses da etnia han, quase dois meses depois de uma onda de violência na qual membros da etnia e uigures (membros da etnia predominante em Xinjiang) se enfrentaram na região.


Exército chinês monta bloqueios em ruas para evitar protestos / AP

Os protestos ganharam força devido a uma onda de misteriosos ataques com seringas de injeção na cidade. Os membros da comunidade han afirmam serem as vítimas e querem mais proteção.

"Na quinta-feira 14 pessoas ficaram feridas e cinco morreram nos incidentes, incluindo dois inocentes", disse o prefeito, Zhang Hong.

Zhang não disse qual a etnia das vítimas ou outros detalhes sobre as mortes.

Seringas

Nesta sexta-feira, uma multidão de manifestantes da etnia han entrou em confronto com centenas de policiais da tropa da choque.

Uma testemunha disse à BBC que cerca de 2 mil chineses da etnia han participaram dos protestos nos últimos dois dias.

Segundo a imprensa chinesa, cerca de 500 pessoas - quase todas da etnia han - foram tratadas por ferimentos nas últimas semanas.

As informações são de que 89 pessoas tinham "claras marcas de seringas", mas ninguém havia sido infectado ou envenenado. Várias pessoas já foram presas por supostamente participarem dos ataques.

Tensão étnica

Os manifestantes também exigem que seja acelerado o julgamento dos acusados pelos violentos choques étnicos em julho - que causaram a morte de 197 pessoas e deixaram cerca de 1,7 mil feridos.

Alguns manifestantes acusam o governo regional de ser "inútil", pedindo a demissão do chefe do Partido Comunista regional, Wang Lequan, que seria um aliado do presidente Hu Jintao.

As autoridades chinesas responsabilizam chineses da etnia uigur pela violência, afirmando que os confrontos haviam sido orquestrados por separatistas no exílio.

Os chineses da etnia uigur - na sua maioria muçulmanos - correspondem a cerca de 45% da população da província enquanto que os da etnia han - o grupo étnico majoritário da China - equivalem a cerca de 40%.

A tensão entre as duas comunidades vem crescendo há muitos anos, mas os choques de julho passado foram os piores da China em décadas.

A violência começou no dia 5 de julho quando um protesto inicialmente pacífico de jovens uigures - aparentemente provocado por um outro confronto em uma fábrica no sul da China - fugiu do controle, com lojas e carros incendiados e transeuntes sendo atacados.

Cerca de 80 pessoas foram acusadas pela violência, mas a data para o julgamento ainda não foi marcada.

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