Violência cresce fora de Londres e premiê promete contra-ataque

Cameron diz que polícia poderá usar cassetetes e canhões d'água para conter distúrbios, em que ao menos quatro morreram

iG São Paulo |

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que um "contra-ataque" está em andamento após quatro dias de distúrbios no país . Na noite de terça-feira, a violência diminuiu em Londres, mas cresceu em outras partes da Inglaterra, como Manchester, Salford, Liverpool, Nottingham e Birgmingham.

De acordo com o premiê, a polícia vai ter acesso a todos os recursos necessários para impedir novos tumultos e saques, incluindo o uso de cassetetes e canhões d'água.

"Grandes operações policiais estão acontecendo neste momento para prender criminosos que não foram detidos na noite passada, mas que apareceram em câmeras de circuito fechado de televisão. Imagem por imagem esses criminosos estão sendo identificados e presos e não vamos deixar nenhuma preocupação fajuta com direitos humanos impedir a publicação dessas imagens e as prisões desses indivíduos", disse Cameron após mais uma reunião de emergência do governo, na manhã desta quarta-feira.

O primeiro-ministro também afirmou que o comportamento dos responsáveis pelos ataques - incluindo crianças - mostra que partes da sociedade britânica "estão doentes" e prometeu que não vai permitir que haja uma "cultura do medo" nas ruas.

Na noite de terça-feira, três homens foram mortos atingidos por um carro na cidade de Birmingham. Haroon Jahan, Shahzad Ali e Abdul Musavir foram levados para o hospital, onde acabaram morrendo. Um dia antes, um homem de 26 anos foi encontrado baleado em Croydon, subúrbio do sul de Londres. Ele foi levado para o hospital, mas acabou não resistindo.

Na terça-feira, o governo britânico colocou 16 mil policiais nas ruas de Londres , que viveu uma noite de relativa tranquilidade. Porém, muitos bares e lojas fecharam as suas portas mais cedo na cidade com medo de novos episódios de violência.

Segundo a polícia metropolitana de Londres (conhecida como Scotland Yard), 768 pessoas foram detidas ao longo dos quatro dias de distúrbios, com 105 delas indiciadas. Mais de 100 policiais da Scotland Yard ficaram feridos nos quatro dias de operações, incluindo alguns com ferimentos graves na cabeça e nos olhos, cortes e fraturas após serem atacados pelos manifestantes com garrafas, pedaços de madeira, tijolos e até mesmo carros em movimento. Cinco cachorros da polícia também ficaram feridos.

Quatro tribunais de Londres estão fazendo plantão noturno para julgar algumas das centenas de pessoas acusadas de ligação com os distúrbios ocorridos nos últimos dias na capital britânica.

‘Desordem generalizada’

Com a proliferação dos episódios de violência pelo país, ao menos 108 pessoas foram presas em Manchester e Salford, no norte do país, onde grupos de jovens atearam fogo a carros e lojas.

Em Manchester, centenas de jovens entraram em confronto com a polícia. A multidão jogou bombas incendiárias em lojas, enquanto algumas pessoas saquearam lojas, roubando roupas, equipamentos eletrônicos e bebidas.

O comandante da polícia da Grande Manchester, Garry Shewan, afirmou que suas forças enfrentaram “níveis extraordinários de violência de grupos de criminosos com a intenção de promover a desordem generalizada”.

No condado de West Midlands, que engloba a cidade de Birmingham, a segunda maior do país, 229 pessoas foram detidas e 23 foram indiciadas pelos distúrbios.

Grupos de jovens destruíram fachadas de lojas e atearam fogo a carros na região. Também em Birmingham, três homens morreram atropelados durante a noite. Segundo moradores, eles estavam tentando proteger sua vizinhança.

Em Nottingham, no norte do país, uma delegacia foi atacada com coquetéis molotovs por uma gangue de jovens. Cidades como Leicester, Gloucester e Wolverhampton também registraram distúrbios à noite.

Nesta quarta-feira, um grupo de hackers atacou o site da Blackberry , após a empresa afirmar que colaboraria com a polícia britânica na identificação dos responsáveis pelos recentes tumultos no país. O sistema da BlackBerry de envio de mensagens pela internet , incluindo telefones celulares, foi identificado como um dos métodos usados pelos responsáveis pelos tumultos para coordenar sua ações.

Origem dos distúrbios

Na terça-feira, o prefeito de Londres, Boris Johnson, afirmou que os responsáveis pelos distúrbios “receberão punições que os farão se arrepender amargamente”.

Johnson rejeitou, porém, as “justificativas econômicas ou sociais” para a violência. Grupos opositores acusam a prefeitura e o governo britânico de promover cortes em programas sociais que atendem jovens de comunidades carentes, o que teria contribuído para a sensação de frustração e a revolta popular.

As revoltas explodiram no sábado no bairro de Tottenham, após um protesto pela morte de Mark Duggan, jovem negro de 29 anos.

Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. O jovem teria sido morto em um suposto tiroteio que também teria ferido um policial.

A assistente social Michelle Jackson, de 43 anos, disse à BBC que muitos ficaram descontentes em Tottenham, um bairro que abriga muitos imigrantes, depois que a polícia começou a dar declarações sobre Mark Duggan à imprensa, mas sem fornecer qualquer tipo de informações para a família do jovem morto.

"Eu conheço o homem que foi morto, ele era um sujeito muito bacana, e eles estão fazendo parecer como se fosse uma espécie de gangster envolvido em armas e em coisas desse tipo", afirmou Michelle. Segundo ela, a polícia não sabe lidar com os jovens negros de Tottenham, e muitas pessoas de diversas nacionalidades e etnias se juntaram ao tumulto de sábado.

Arte iG
Violência se espalhou por bairros de Londres e outras cidades

Com BBC

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