Violência contra sindicalistas na Colômbia mantém TLC com EUA em suspenso

María Peña. Washington, 12 fev (EFE).- A violência contra sindicalistas na Colômbia, que hoje colocou frente a frente democratas e republicanos em um comitê do Congresso dos Estados Unidos, mantém a votação do Tratado de Livre-Comércio (TLC) entre ambos os países na corda bamba.

EFE |

Durante uma audiência do Comitê de Educação e Trabalho da Câmara de Representantes (Deputados), democratas e republicanos iniciaram disputas ácidas sobre o impacto da ratificação do TLC, assinado pelos EUA e Colômbia em 2006.

Os democratas postergaram em 2008 a votação do tratado e desde então defendem que a Colômbia deve mostrar mais conquistas em matéria de trabalho e combater a impunidade na violência contra os sindicatos.

Segundo a promotoria colombiana, 42 sindicalistas foram assassinados em 2008, enquanto a Escola Nacional Sindical do país eleva o número para 49, com um aumento de 25% em relação a 2007.

Para o presidente do comitê, o democrata George Miller, essa situação não é um tema "menor" com relação ao TLC.

O diretor da Escola Nacional Sindical da Colômbia, José Luciano Sanín, disse na audiência que 2.694 sindicalistas foram assassinados desde 1986, 482 deles sob o mandato do atual presidente, Álvaro Uribe.

Esse número contradiz as afirmações do Executivo de Uribe perante a opinião pública internacional em relação a que a Colômbia tenha superado o problema da violência sindical e "o Governo o mantém sob controle", afirmou Sanín.

Miller afirmou por sua parte que, embora tenha havido progressos no processamento dos homicídios, ainda restam grandes dúvidas a serem contestadas e os trabalhadores colombianos devem contar com os direitos trabalhistas básicos que toda pessoa deve ter.

O democrata Robert Andrews considerou que não se pode premiar a situação atual da Colômbia com um TLC.

Os legisladores escutaram o testemunho de Jessika Hoyos, filha de um líder sindicalista assassinado em março de 2001 por dois paramilitares.

Segundo disse Hoyos aos congressistas, as autoridades disseram até agosto de 2008 que a morte de seu pai foi "um crime passional".

"Em meu país, na realidade não se quer identificar os autores intelectuais... Bati de frente com um muro de impunidade", se queixou Hoyos, que discursou na investigação do assassinato de seu pai.

O ex-juiz José Nirio Sánchez, que presidiu alguns dos casos de violência sindical em 2007, disse que o método usado pela promotoria colombiana para investigar "permite ver a árvore, mas não permite ver a floresta".

"O problema é que o promotor ou o juiz conduz o caso como mais um número na prateleira... Não se quer chegar até o fundo", disse.

Ele assegurou que na Colômbia se deve adotar um método como se se tratasse de um problema sistêmico, em vez deste "caso a caso".

Na mesma audiência, vários republicanos saíram em defesa do TLC e do Governo colombiano.

O republicano Mark Souder destacou que a Colômbia registrou uma mudança incrível, reduziu a violência e há uma história extraordinária do desenvolvimento da classe média, ao mesmo tempo em que criticou os relatórios "tendenciosos" da Human Rights Watch (HRW) contra o país sul-americano.

Maria McFarland, investigadora da HRW, falou do deslocamento interno na Colômbia e da intimidação e violência contra sindicalistas.

Segundo sua opinião, o Congresso dos EUA não deve votar o TLC até que o Legislativo colombiano se livre da influência paramilitar.

O especialista disse que os Estados Unidos devem pressionar a Colômbia para que aumente as penas, averigue "o universo de casos" e persiga tanto os autores intelectuais quanto os paramilitares.

A embaixadora da Colômbia nos EUA, Carolina Barco, esteve na audiência e, embora não tenha dado testemunho, apresentou uma carta a Miller na qual defendeu conquistas e medidas de seu Governo para proteger os sindicalistas, reformar o sistema judiciário e combater a impunidade.

No final da audiência, Carolina disse aos jornalistas que "infelizmente (os números) foram apresentados sem os detalhes de seu contexto".

O Governo de Bogotá antecipa uma nova ofensiva diplomática e política em Washington para que o Congresso aprove o TLC.

No entanto, a Casa Branca disse na quarta-feira que as preocupações em torno da situação de trabalho na Colômbia continuam sendo válidas. EFE mp/ma

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