BAGDÁ - Pelo menos 23 pessoas morreram e 83 ficaram feridas na quarta-feira na favela xiita de Sadr City, em Bagdá, segundo fontes de segurança. A cidade teve um dia violento no quinto aniversário da ocupação norte-americana, apesar da restrição à circulação de veículos. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/03/19/especial_cinco_anos_da_guerra_do_iraque_1235249.htmlVeja o especial sobre os cinco anos da guerra http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/09/democratas_denunciam_guerra_sem_fim_de_bush_no_iraque_1265675.htmlDemocratas denunciam guerra sem fim de Bush no Iraque http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/09/democratas_dizem_que_iraque_desvia_foco_da_al_qaeda_1265318.htmlDemocratas dizem que Iraque desvia foco da Al-Qaeda

Até 73 pessoas morreram em Sadr City desde domingo em combates entre milicianos mascarados, ligados ao clérigo xiita Moqtada Al Sadr, e forças norte-americanas e iraquianas.

'O chão do hospital está coberto com o sangue de crianças', disse o médico Qasim Al Mudalla, diretor do hospital Imã Ali, em Sadr City, onde segundo ele chegaram na quarta-feira quatro crianças e duas mulheres mortas, além de cinco homens adultos.

'O que o mundo está fazendo? Vêem o sangue das nossas crianças e não fazem nada!'

De 25 a 30 de março, confrontos entre as forças iraquianas, apoiadas pelo Exército americano, e as milícias "sadristas" deixaram cerca de 700 mortos em Sadr City, Kadhimiyah (outro grande bairro xiita da capital), Basra (sul) e nas principais aglomerações do sul xiita.

Cinco anos sem Saddam

Outras partes de Bagdá estão tranquilas, com as ruas sem tráfego por causa da restrição aos veículos em vigor na quarta-feira, para evitar distúrbios na data em que os norte-americanos invadiram a capital e depuseram o regime de Saddam Hussein.

Lojas, repartições públicas, escolas e universidades ficaram fechadas, e os moradores só foram autorizados a sair a pé.

Sadr havia convocado uma grande manifestação contra os EUA, mas a adiou alegando temer pela segurança de seus seguidores.

Muitos iraquianos citaram a data com amargura. O militar da reserva Salim Hussein disse que esses cinco anos só trouxeram 'sangue, bombas, toques de recolher e lutas internas.'

'O governo é totalmente incapaz de oferecer segurança', disse ele, caminhando perto da praça onde em 9 de abril de 2003 os soldados norte-americanos derrubaram uma gigantesca estátua de Saddam.

Em pronunciamento pela TV, o presidente Jalal Talabani disse que a data deve ser celebrada. 'O 9 de abril entrará na história como o dia em que a ditadura mais arrogante que a Mesopotâmia já conheceu foi deposta, a queda de um regime político que deixou para trás valas comuns que continham centenas de milhares de inocentes.'

O presidente dos EUA, George W. Bush, que deve fazer um discurso sobre o Iraque na quinta-feira, falou por telefone com o primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, e segundo um porta-voz iraquiano manifestou apoio à repressão do governo de Bagdá contra a milícia xiita.

Em meio à apatia, algumas dezenas de saudosistas do regime baathista denunciaram a ocupação americana, manifestando-se no bairro sunita de Adhamiyah, onde o ex-ditador fez sua última aparição pública há cinco anos, aclamado por seus partidários.

Nenhum outro ato foi registrado na cidade, um dia depois que Moqtada al-Sadr cancelou uma grande manifestação para esta quarta contra a presença americana, com o objetivo de "poupar o sangue iraquiano". Desde a invasão, o protesto era organizado todo dia 9 de abril.

Segurança

Sob a pressão crescente do governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, apoiado por Washington, Al-Sadr também ameaçou pôr fim ao cessar-fogo das operações de sua milícia, o Exército de Mahdi. Em vigor desde agosto de 2007, essa trégua contribuiu para uma clara redução da violência nos últimos meses no país.

Após várias declarações de Al-Maliki nesse sentido, o presidente Jalal Talabani pediu o desmantelamento da milícia, destacando, porém, que ele considera o movimento de Al-Sadr "uma organização respeitável".Al Sadr afirmou que desarmaria seus homens apenas se a ordem fosse dada por aiatolás superiores.

Na terça-feira, nos Estados Unidos, o principal comandante militar americano no Iraque, David Petraeus, recomendou ao Congresso do país a suspensão da retirada parcial de tropas americanas marcada para julho, como forma de ajudar a consolidar os avanços conquistados no combate à violência no país.

Petraeus elogiou as "significativas, porém voláteis" melhorias na segurança e disse que as necessidades referentes ao contingente de soldados no país precisam ser avaliadas durante o verão nos Estados Unidos (inverno no Brasil).

(*Com informações das agência AFP, Reuters e da BBC)

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