Violência após assassinato de político mata 45 no Paquistão

Tumultos após morte de deputado também deixam mais de 70 feridos em Karachi

AFP |

Quarenta e cinco pessoas morreram na noite de segunda-feira, em Karachi, a cidade mais povoada do Paquistão e situada no sul do país, em uma onda de violência desencadeada pelo assassinato de um deputado da maioria provincial. Mais de 70 ficaram feridos nos tumultos.

Raiza Haider, do Movimento Mutahida Qaumi (MQM), aliado do Partido do Povo Paquistanês (PPP) dentro da coalizão que dirige a Província de Sind, morreu horas antes da violência crivado de balas por disparos de dois homens que circulavam de moto.

O assassinato desatou o pânico na cidade de 16 milhões de habitantes, os comércios fecharam as portas e as ruas se esvaziaram, enquanto eram ouvidos disparos em vários bairros.

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Motociclista paquistanês passam por van em chamas depois de violência que atingiu Karachi após morte de deputado
"A violência parece ser resultado da morte do dirigente do MQM, mas qualquer outro grupo pode aproveitar a situação para desestabilizar o governo democrático e a cidade de Karachi", afirmou um porta-voz do governo provincial, Jamil Sumro. "Os infieis queimaram 24 ônibus e danificaram um posto de gasolina e várias lojas em várias partes da cidade", lamentou.

A polícia informou ter prendido 12 suspeitos ligados ao assassinato de Haider. "O suspeitos incluem três homens que pertencem ao (grupo militante vinculado à Al-Qaeda) Lashkar-e-Jhangvi que enfrentarão acusações de assassinato e foram libertados pelo pagamento de fiança", informou uma fonte policial.

O MQM convocou manifestações e o governo provincial fechou as escolas em Karachi e Hyderabad (174 km a leste da capital financeira paquistanesa), onde também foram incendiados veículos depois do assassinato. As autoridades provinciais já proibiram os atos políticos em Karachi para tentar limitar os assassinatos políticos.

As tensões são comuns entre os membros da coalizão MQM e o Partido Nacional Awami (ANP), que representam diferentes comunidades em Karachi. O ANP é o partido de mais de 2 milhões de pashtuns que escaparam da pobreza e da violência ligada à milícia islâmica Taleban no nordeste de Karachi.

O MQM representa a população dominante da cidade, de idioma urdu. Os dois partidos se acusam de cometer assassinatos e os analistas veem isso como uma guerra pelo poder em Karachi.

"Há uma batalha campal entre vários grupos pelo poder e o espaço político na cidade", afirmou à AFP I.A Rehman, secretário-geral da Comissão Independente de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP). "Os extremistas se aproveitam da situação enquanto se cria um problema de lei e de ordem na cidade."

O governo não deu cifras exatas, mas a HRCP afirma que houve pelo menos 260 assassinatos em Karachi no primeiro semestre do ano. Karachi tem sido relativamente poupada dos ataques do Taleban e da Al-Qaeda que atingem o nordeste do país, mas é dominada por matanças étnicas, assassinatos e sequestros.

Esses atos de violências acontecem num momento em que cresce a preocupação pelo risco de epidemias no noroeste do Paquistão, depois das piores inundações em 80 anos.

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