Violação de espaço aéreo provoca atrito entre Venezuela e EUA

O governo da Venezuela denunciou nesta segunda-feira a violação de seu espaço aéreo por parte de uma aeronave militar dos Estados Unidos e anunciou a convocação do embaixador de Washington em Caracas, Patrick Duddy, para explicar o incidente.

AFP |

"No sábado 17 (de maio) às 8:40 da noite (21H10 Brasília) nosso sistema de defesa registrou sobre nosso espaço aéreo, especificamente sobre a ilha de Orchila (norte), um avião militar dos EUA", informou o ministro da Defesa venezuelano Gustavo Rangel.

Rangel falou sobre o assunto em entrevista à imprensa na qual esteve acompanhado pelo chanceler Nicolás Maduro.

Segundo Maduro, "vamos escutar primeiro as explicações dos Estados Unidos, para tomarmos as ações necessárias para que isto não volte a acontecer".

Rangel disse que o avião americano "praticamente sobrevoou a Ilha das Aves (nordeste)", antes de "seguir para (a ilha de) Curaçao" (Antilhas Holandesas), no Caribe.

O ministro destacou que o piloto sabia que estava no espaço aéreo venezuelano: "Foi uma ação consciente. Trata-se de mais um elo na corrente de provocações" dos Estados Unidos.

O Pentágono admitiu que um avião de vigilância da Marinha dos Estados Unidos, com "problemas intermitentes de navegação", entrou no final de semana passado no espaço aéreo venezuelano.

"Um aparelho S-3 Viking americano, que realizava operações de combate às drogas, perdeu suas referências de navegação e entrou no espaço aéreo da Venezuela", informou a força americana contra o narcotráfico no Caribe, baseada em Key West, Flórida.

"O controle aéreo venezuelano ajudou a guiar (de volta) o avião para o espaço aéreo internacional, o que apreciamos", destacou o comunicado americano, antes de acrescentar que "o incidente está sendo investigado".

O comandante Jeffrey Gordon, um porta-voz do Pentágono, disse que o S-3 Viking "sofreu problemas intermitentes de navegação quando realizava uma missão no espaço aéreo internacional sobre Curaçao", nas Antilhas Holandesas.

Segundo Gordon, a tripulação foi contactada pelo controle de tráfego aéreo do Aeroporto Internacional de Maiquetía, ao norte de Caracas.

"Nossa tripulação respondeu rapidamente, revelando que era um avião da Marinha dos Estados Unidos, dando seu código de vôo e informando que a missão em espaço aéreo internacional procedente de Curaçao havia sofrido um erro de navegação".

Gordon destacou que a barreira da linguagem aparentemente atrapalhou a conversa inicial entre os tripulantes americanos e o controle de vôo venezuelano, e que o diálogo durou cerca de três minutos.

"O contato foi cortês e profissional", disse o porta-voz do Pentágono, acrescentando que o problema de navegação ainda não está claramente identificado.

O S-3 Viking é um bimotor concebido originalmente como avião de luta anti-submarina que hoje é utilizado em operações de vigilância marítima e de abastecimento em vôo.

A Força Aérea dos Estados Unidos mantém em Curaçao uma base utilizada em missões de combate às drogas.

jm/sd/LR

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG