Vinte pessoas morrem em novos atos de violência no Líbano

Líbano - Vinte pessoas morreram, neste sábado, no Líbano. Novos confrontos entre partidários da maioria e da oposição deixaram 14 mortos. Outros seis foram assassinados a tiros durante o funeral das vítimas dos confrontos registrados na véspera em Beirute. Ao todo, já chega a 38 o número de mortos devido aos diversos atos de violência que assolam o país.

AFP |

Um membro dos serviços de segurança declarou que 14 pessoas, entre elas civis, morreram em combates registrados na cidade de Halba, na região de Akkar, entre militantes do Partido Social Nacionalista (pró-Síria) e partidários da Corrente do Futuro (maioria).

"A sede central do Partido Nacional Social Sírio (oposição pró-síria) caiu nas mãos de forças da Corrente do Futuro (pró-governamental) em Halba", assegurou esta autoridade, acrescentando que sete corpos foram encontrados no interior da sede.

Outras seis pessoas morreram quando homens armados atiraram em direção ao funeral de um civil morto nos confrontos de sexta-feira no oeste de Beirute.

O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, se pronunciou sobre os incidentes em um comunicado nacional, neste sábado, às 8h, no horário de Brasília. Este foi seu primeiro pronunciamentoo público desde que o Hezbollah tomou o controle do oeste de Beirute, na sexta-feira.

Os diversos atos de violência assolam o Líbano desde qunta-feira e são cometidos por milicianos xiitas e partidários do sunita Saad Hariri, um dos líderes da maioria parlamentar anti-síria, apoiada por países ocidentais.

Ainda neste sábado, o Exército libanês se recusou a acatar as decisões do governo contra o Hezbollah e ordenou a todos os homens armados que se retirem das ruas, anunciaram as Forças Armadas em um comunicado.

O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, havia encarregado pouco antes o Exército de pôr em prática as decisões tomadas contra o Hezbollah, que o movimento xiita libanês classificou de "declaração de guerra", dando origem a violentos confrontos em todo o país entre seguidores de ambas as correntes.

O Exército decidiu que o chefe da segurança do aeroporto, apresentado pelo governo como alguém ligado ao Hezbollah e que foi rejeitado na terça-feira, "será mantido em seu posto".

O Exército "estudará o relatório sobre a rede de telecomunicações" do Hezbollah, que seria investigado pelo governo por "violação da soberania do Líbano".

No comunicado militar, o Exército pediu que "todas as partes retirem todos os homens armados e liberem as estradas".

Confrontos mais sangrentos desde a guerra civil

Na quinta e sexta-feira foram desencadeados os piores confrontos desde a guerra civil (1975-1990) e suscitaram temores de um novo conflito armado no Líbano, paralisado por uma crise institucional desde o fim de 2006 que opõe a maioria anti-Síria e a oposição liderada pelo Hezbollah e apoiada por Síria e Irã.

Na manhã deste sábado, ainda se podia ver milicianos do Hezbollah e militantes do outro movimento xiita, Amal, no oeste de Beirute, de onde na véspera expulsaram os partidários de Hariri.

Várias redes de televisão, uma rádio e um jornal, meios de comunicação pertencentes ao grupo do líder anti-sírio, foram obrigados a fechar devido às ameaças do Hezbollah.

"A presença de elementos armados diminuiu significativamente e os civis não correm mais perigo", segundo um porta-voz do exército.

No oeste de Beirute, algumas padarias e supermercados abriram suas portas e aos poucos as pessoas começavam a circular pelas ruas.

A estrada em direção ao aeroporto internacional de Beirute continua bloqueada por pneus e montes de terra colocados pelo Hezbollah. Segundo um jornalista da AFP, havia homens armados no local.

Os cidadãos estrangeiros seguem deixando o país pela estrada em direção à Síria. Enquanto isso, a Turquia e o Kuwait iniciaram a evacuação de seus compatriotas.

No domingo será realizada no Cairo uma reunião ministerial convocada de emergência pelo Egito e a Arábia Saudita, por temerem que o Irã xiita intensifique agora sua influência no Líbano.

Na segunda-feira, o grupo informal dos "Amigos do Líbano", integrado por 15 países e organizações internacionais, participará de uma conferência telefônica para avaliar a situação, de acordo com um responsável pelo departamento americano de Estado.

"Depois, também estudaremos a possibilidade de consultas em Nova York, no Conselho de Segurança" das Nações Unidas, afirmou.

A violência começou no Líbano na quarta-feira, quando o Hezbollah transformou uma greve de reivindicações sociais em um movimento de desobediência civil que gerou confrontos.

Estes últimos se intensificaram na quinta-feira após o discurso do líder do Hezbollah, Hassan Nasralah, que classificou como "declaração de guerra" decisões tomadas pelo governo sobre a rede de telecomunicações do movimento e exigiu que as autoridades assumam outra postura e aceitem dialogar.

Durante os confrontos em Beirute, o exército libanês se limitou a proteger edifícios oficiais sem intervir com os confrontos.

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