Villepin é absolvido da acusação de complô contra Sarkozy

Por James Mackenzie PARIS (Reuters) - O ex-premiê francês Dominique de Villepin foi absolvido nesta quinta-feira da acusação de fazer parte de uma conspiração para manchar a reputação de Nicolas Sarkozy e sabotar a campanha dele à Presidência em 2007.

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O veredicto do chamado "caso Clearstream" representa um duro golpe a Sarkozy, que não fez segredo de sua inimizade em relação ao aristocrático Villepin quando os dois trabalharam juntos no governo do ex-presidente Jacques Chirac.

Villepin, que se tornou primeiro-ministro em 2005 após servir como ministro das Relações Exteriores e do Interior, foi acusado de usar documentos falsos para associar Sarkozy a uma investigação sobre corrupção, enquanto os dois homens disputavam a sucessão de Chirac.

Ele sempre negou as acusações e disse reiteradas vezes que era vítima de uma vingança de Sarkozy, que chegou ao poder na eleição de 2007, enquanto Villepin combatia as acusações de improbidade.

Na decisão anunciada em um tribunal lotado, o juiz afirmou que não havia evidência clara de que Villepin havia tentado desacreditar Sarkozy nem de que ele havia agido de má fé.

"Eu saúdo a coragem da corte, que permitiu o triunfo da justiça e da lei sobre a política", disse Villepin à multidão de jornalistas reunida do lado de fora do tribunal.

"Eu não guardo nenhum ressentimento nem rancor. Quero virar a página... Quero olhar para o futuro, servir o povo francês e continuar no espírito de união", acrescentou.

O ex-premiê não ocupa nenhum cargo público e trabalha como advogado. No entanto, ele ainda tem partidários na centro-direita e membros de seu círculo íntimo disseram que ele deverá disputar a eleição presidencial de 2012 com Sarkozy.

Sarkozy, que havia entrado com uma ação civil no caso, disse num comunicado que estava satisfeito com o veredicto e não iria recorrer da decisão.

A corte julgou culpados três réus que estavam sendo processados junto com Villepin.

O juiz disse que Jean-Louis Gergorin, ex-executivo da EADS ligado aos serviços de inteligência, e Imad Lahoud, especialista em computação, foram os principais arquitetos do caso que arrastou na lama alguns dos principais nomes da política e dos negócios franceses.

Ambos foram declarados culpados das acusações de uso de documentos falsos e de denúncia difamatória. Gregorin recebeu a sentença de 15 meses de prisão, e Lahoud, de 18 meses. A fiança determinada para cada um dos dois foi de 40 mil euros (56.140 dólares).

Florian Bourges, ex-auditor da Arthur Andersen, que obteve os documentos originais, foi declarado culpado por roubo e quebra de confiança.

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