Vigília em Hong Kong reúne 100 mil para lembrar protestos em Pequim

Cerca de cem mil pessoas se reuniram nesta quinta-feira no Parque Victoria, em Hong Kong, para lembrar os 20 anos da violenta repressão aos protestos da Praça da Paz Celestial.

BBC Brasil |


AP
Vigília reúne milhares em Hong Kong

Vigília reúne milhares em Hong Kong

A vigília à luz de velas em Hong Kong foi o único evento realizado na China para lembrar os acontecimentos de 1989.

Correspondentes dizem que a vigília é realizada anualmente, mas o evento atraiu uma multidão muito maior neste ano. O número de pessoas foi tão grande que algumas das ruas mais movimentadas da cidade tiveram que ser fechadas.

Censura

Hong Kong é o único lugar da China onde o aniversário de 20 anos dos confrontos da Praça da Paz Celestial é lembrado e discutido abertamente.

O governo, porém, barrou a entrada de dissidentes que viajariam a Hong Kong para participar dos eventos de lembrança da data. Hong Kong tem a tradição de ser o lugar mais livre da China porque Pequim não pode censurar o conteúdo que é veiculado pela imprensa local.

Comandado pela Grã-Bretanha até 1997, o território foi devolvido aos chineses sob a condição de que, por 50 anos, as liberdades individuais fossem respeitadas como determina a lei britânica.

Por causa desse acordo, a imprensa de Hong Kong não precisa responder ao Ministério da Propaganda, que regula as notícias publicadas na China.

Os livros didáticos da região autônoma também não suprimem o episódio da Praça da Paz Celestial, que é tabu nas escolas do governo comunista.

Em Hong Kong, o debate sobre os 20 anos dos confrontos entre estudantes e governo está muito vivo e tem dominado as páginas dos jornais.

Na capital chinesa, a polícia impediu o acesso à Praça Celestial, para impedir eventuais manifestações. Dissidentes disseram ter recebido a recomendação de deixar Pequim às vésperas do aniversário. Correspondentes dizem que policiais à paisana vigiam possíveis manifestações em universidades.

1989

Em 1989, inúmeros estudantes e populares ocuparam a praça no centro de Pequim para reivindicar mudanças democráticas.

O governo chegou a negociar com os estudantes, mas mudou de posição por temer que sua liderança pudesse ser comprometida e entrou em confronto com os manifestantes.

A imagem de um manifestante, até hoje anônimo, tentando conter o avanço de tanques circulou o mundo e se tornou um símbolo do episódio.

A ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional afirma que até 200 pessoas permanecem presas por causa dos eventos de 1989.

Estima-se que centenas de pessoas morreram na repressão aos protestos, mas a China nunca divulgou o número oficial de mortos do que diz ter sido um movimento contrarrevolucionário.

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