Vigilância é questionada e governo fica na defensiva na França

Moradora de Toulouse havia prestado queixas contra suspeito de ataques, cujo nome estaria na lista de monitoramento de passageiros dos EUA

iG São Paulo |

O governo francês está na defensiva confrontado com declarações sobre eventuais falhas de segurança em relação à vigilância do autor dos atentados em Toulouse e Montauban, Mohamed Merah , que diz ter sido aprendiz jihadista no Afeganistão e Paquistão.

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"O sobrenome dos irmãos Merah era conhecido pelos serviços de inteligência . Considero que isso levanta verdadeiramente a seguinte questão: Por que não houve uma vigilância normal, habitual?", declarou à emissora Europe 1 François Heisbourg, especialista em política internacional e segurança.

Merah, de 23 anos, morreu nesta quinta-feira após uma operação da polícia de Toulouse, no sul do país, depois de 32 horas de cerco. O governo esperava poder capturá-lo vivo.

Segundo a rede de TV americana CNN, autoridades americanas disseram que Merah estava na no-fly list (lista de monitoramento de passageiros) dos Estados Unidos.

O jornal regional Le Télégramme conversou com uma moradora de Toulouse, que declarou que havia apresentado duas queixas em 2010 contra Merah. "Apresentei uma queixa contra Mohamed Merah duas vezes e insisti (perante as autoridades) em muitas ocasiões. Tudo em vão", disse a mulher, identificada simplesmente com o nome de Aicha pelo jornal e cujas declarações foram confirmadas por seu advogado.

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Segundo ela, em 2010 Merah agrediu membros de sua família e obrigou seu filho de 15 anos a assistir a vídeos da Al-Qaeda com cenas insuportáveis, em especial de mulheres sendo executadas com tiros na cabeça e homens degolados.

Pouco antes, Merah apareceu no bairro com um uniforme de combate, com um sabre nas mãos e gritando "Alá Akbar" (Deus é grande), acrescentou a mulher.

Há dois dias, o governo francês vem afirmando que os aprendizes de jihadistas franceses, cujo número é estimado em 15 ou 20, são fortemente vigiados. O próprio Merah, disseram autoridades francesas, vinha sendo monitorado havia anos .

De acordo com o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, Mohamed Merah "foi interrogado recentemente pelos serviços de inteligência".

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Diante de informações já conhecidas do suspeito e o monitoramento que era feito antes dos ataques, os franceses se questionam se os serviços de inteligência poderiam ter impedido os primeiros assassinatos de militares, um no dia 11 de março e dois no dia 15 de março .

Também são levantadas questões sobre a incapacidade das forças de segurança para identificar rapidamente e deter um homem vigiado antes que cometesse seu terceiro ataque contra uma escola judaica , no dia 19 de março, no qual morreram quatro pessoas, sendo três crianças.

AP
Oficiais da força de intervenção especial da França deixam área em Toulouse onde suspeito de ataques foi morto

"Compreendo que possa ser levantada a questão sobre se houve falhas ou não. Se houve, é preciso esclarecer isso", disse Juppé, que crê não ter havido falhas na operação.

Apesar da pressão, o ministro do Interior francês, Claude Guéant, tentou explicar a tomada de decisões das autoridades. "Expressar ideias, manifestar opiniões salafistas não basta para que alguém seja levado à justiça", argumentou Guéant.

*Com AFP

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