Vietnã protesta contra China por supostos planos de invasão militar

Pequim, 5 set (EFE) - O Governo vietnamita protestou em duas ocasiões perante o chinês pelo surgimento, na internet, de supostos planos de invasão militar por parte de Pequim no que alguns analistas consideram uma piada, apesar de não descartarem um conflito de interesses com os Estados Unidos. A suposta invasão, publicada no site Sina.com sob o título de Uma batalha para pôr ordem na região, incluiria um plano de 31 dias com ataques de mísseis por terra, mar e ar.

EFE |

A batalha final seria realizada com 310 mil militares comunistas chineses que entrariam no Vietnã através das províncias de Yunnan e Guangxi (sul) e a partir do Mar da China Meridional.

"O Vietnã é uma grande ameaça para a segurança dos territórios chineses e o principal obstáculo para a emergência pacífica da China", indica o suposto plano.

"O Vietnã é também um centro estratégico para o Sudeste Asiático.

Tem que ser conquistado primeiro para que o resto da região retorne ao controle chinês", acrescenta.

Embora não se conheça o autor do plano, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Vietnã, Le Dung, afirmou em comunicado que o país pediu às autoridades chinesas que "tomem medidas para que estes artigos negativos desapareçam e evitem, assim, prejudicar as relações bilaterais".

"Trata-se de informação irrelevante contra a tendência de paz, amizade e cooperação para o desenvolvimento da região e do mundo", destacou Dung ao jornal "South China Morning Post".

O Ministério de Assuntos Exteriores chinês respondeu ao protesto alegando que o artigo "não representa a posição do Governo da China" e que se trata de um ato individual.

No entanto, as autoridades vietnamitas não entendem por que esse conteúdo não foi eliminado da internet com um Governo tão censor quanto o chinês.

Alguns observadores ressaltam que o "plano invasor" aparece em um momento de crescente tensão entre os países vizinhos, depois que a China ameaçou a companhia petrolífera americana Exxonmobil, a maior do mundo, com a perda de seus contratos no país se não retirasse seus investimentos em águas vietnamitas do Mar da China Meridional.

China e Vietnã mantêm conflitos territoriais nessa zona pela soberania das Ilhas Spratly.

Song Xiaojun, um especialista militar chinês, afirma que o plano publicado na internet é "uma piada" criada por "militares fanáticos".

No entanto, ele lembra que há gente nos dois países que ainda não esqueceu da guerra sino-vietnamita de 1979, apesar de as nações contarem com um Governo comunista.

"China e Vietnã têm sistemas políticos similares e deveriam se unir para resistir ao poder dos Estados Unidos, que é seu inimigo comum. Está claro que os EUA estão tentando que o Vietnã se oponha ao crescente poder da China", assinalou o especialista.

Neste sentido, Song descreveu o plano de exploração da companhia petrolífera Exxonmobil como uma "provocação". EFE mz/db

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