Imagens feitas com uma câmera escondida e divulgadas neste sábado mostram como um grupo de agentes penitenciários no Zimbábue foi forçado a votar no presidente Robert Mugabe nas eleições de 27 de junho. O vídeo foi publicado neste sábado pelo jornal britânico The Guardian, que também forneceu o equipamento para a filmagem secreta ao agente Shepherd Yuda.

As imagens, capturadas nos seis dias que antecederam a votação do segundo turno no Zimbábue, em 27 de junho, mostram um grupo de agentes penitenciários votando em Mugabe sob o olhar atento de integrantes de uma milícia do governo.

Mugabe foi reeleito para um sexto mandato com 90% dos votos, mas o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, não participou do segundo turno alegando intimidação.

As imagens também mostram um importante líder da oposição no país, Tendai Biti, preso e com as pernas acorrentadas, aguardando julgamento por traição. Biti afirma que as acusações foram fabricadas pelo governo.

Alto risco
O agente penitenciário foi obrigado a fugir do país com a família depois das filmagens.

Ele afirmou ao Guardian que as motivações para arriscar a vida com as filmagens secretas foram a vontade de expor a violência contra os opositores do governo e a morte de um tio, correligionário do partido de oposição a Mugabe, o MDC (sigla em inglês para Movimento para a Mudança Democrática).

Yuda também obteve imagens de comícios do partido do governo em que eleitores eram obrigados a fingir serem analfabetos para que representantes do partido pudessem preencher as cédulas eleitorais para eles.

Na sexta-feira, o presidente Robert Mugabe disse que só está aberto a conversações para pôr fim à crise política do país, se a oposição aceita-lo como presidente legítimo.

"Eu sou o presidente", disse ele na capital, Harare, ao voltar ao país depois de uma cúpula da União Africana no Egito. "Todos têm que aceitar isto se quiserem diálogo."

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