Um vídeo divulgado por uma organização israelense de defesa dos direitos humanos, BTselem, aparentemente mostra colonos judeus espancando palestinos na Cisjordânia. Um pastor idoso, sua mulher e um sobrinho disseram que foram atacados por quatro homens mascarados armados de bastões de baseball porque permitiram que seus animais pastassem perto do assentamento de Susia.

O B'Tselem disse que as imagens foram registradas por uma câmera que cedeu aos palestinos para permitir que eles obtivessem provas de ataques.

Um porta-voz da polícia israelense disse que o caso está sendo investigado. Ninguém foi preso até agora.

O incidente teria acontecido na tarde de domingo passado e a BBC teve acesso exclusivo a estas imagens.

Espancamento
No lado direito da tela, ao fundo, está uma palestina de 58 anos. Thamam al-Nawaja conduzia seu rebanho nas proximidades do assentamento judaico de Susia. A colônia fica perto de Hebron, no sul da Cisjordânia.

Em poucos segundos ela, o marido, de 70 anos, e um dos sobrinhos são espancados. Diante dos primeiros socos, a mulher que filma a cena, nora do casal, abandona a câmera e corre para socorrê-lo.

Nawaja ficou hospitalizada três dias depois do ataque. Ela sofreu uma fratura no braço direito e no lado esquerdo da face.

"Os colonos nos deram dez minutos para sair da área", contou.

Nawaja e o marido decidiram permanecer no local. "Eles não qeurem que fiquemos na nossa terra. Mas não iremos embora. Nós vamos morrer aqui. É nossa (terra)", acrescentou.

Assentamentos como Susia, na Cisjordânia, são um componente importante no conflito entre palestinos e israelenses, que já dura 41 anos.

Confrontos são quase diários mas não é comum que sejam capturados por lentes de câmeras. A B'Tselem distribuiu um total de cem câmeras de vídeo a palestinos na região.

O objetivo da iniciativa é dar provas adicionais para os palestinos em caso de ataques, para que eles não fiquem limitados a dar declarações a policiais ou soldados israelenses.

"A diferença é surpreendente", disse Oren Yakobovich, líder do projeto.

"Quando eles têm a câmera, têm prova de que algo aconteceu. Agora eles têm alguma coisa com o que trabalhar, para usar como uma arma", afirmou.

Um porta-voz do assentamento de Susia se recusou a dar uma declaração sobre o incidente de domingo.

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