Vídeo liga Fujimori a violações de direitos humanos

LIMA (Reuters) - O ex-presidente Alberto Fujimori aprovou manuais de luta anti-subversiva que orientavam a aniquilar os grupos rebeldes do Peru, disse o ex-chefe de um esquadrão da morte em vídeo apresentado na segunda-feira no julgamento de Fujimori, que é réu em um caso de violação de direitos humanos. O ex-líder do grupo Colina, Santiago Martin Rivas, contou no vídeo que as orientações contra o terrorismo se baseavam na política anti-subversiva dos Estados Unidos durante a guerra do Vietnã.

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'Para a aplicação dessa política se elaboraram esses manuais, que eram de uso obrigatório', disse Martin Rivas, mostrando vários livros em suas mãos.

De acordo com Martin Rivas, a orientação do governo das Forças Armadas era para 'aniquilar' ou 'eliminar do modo mais rápido e definitivo' os rebeldes marxistas que agiam naquela época no Peru.

'Isso, para ser aplicado, tinha que ter primeiro o 'de acordo' do alto mando das Forças Armadas, e segundo, o 'cumpra-se' da mais alta autoridade do Estado e comandante-chefe supremo das Forças Armadas, quer dizer, o presidente da República', enfatizou.

O vídeo contradiz o depoimento de Martin Rivas no fim de fevereiro, quando ele negou a existência do esquadrão da morte e rejeitou a validade da gravação, que segundo ele se tratava de um 'ensaio' para sua defesa.

Fujimori, presidente entre 1990 e 2000, é acusado de violação de direitos humanos pelas chacinas de Barrios Altos e La Cantuta, em que 25 pessoas foram mortas por agentes do Estado sob suspeita de pertencer à guerrilha maoísta Sendero Luminoso.

Ex-agentes do grupo Colina admitiram as execuções extrajudiciais durante o processo, mas Fujimori nega tê-las autorizado.

Martin Rivas também disse que, depois do atentado do Sendero Luminoso em julho de 1992 na rua Tarata, em Lima, que matou 25 pessoas, Fujimori conclamou o grupo a 'eliminar os que fazem mal ao Peru'.

'Quem não cumprisse o manual era acusado, segundo o código militar, de covardia e rebelião', disse Martin Rivas no vídeo, numa entrevista que concedeu em 2002 ao jornalista Umberto Jara.

Fujimori, que fugiu do país em 2000, voltou ao Peru no ano passado, extraditado, depois de passar cinco anos exilado no Japão e outros dois sob prisão domiciliar no Chile.

(Reportagem de Teresa Céspedes)

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