Vídeo denuncia mortes de civis e repórteres da Reuters no Iraque

WASHINGTON (Reuters) - Um grupo que promove o vazamento de materiais secretos, como forma de combater a corrupção nos governos e nas empresas, divulgou nesta segunda-feira um vídeo militar gravado em 2007 que mostra um ataque de helicópteros Apache que matou 12 pessoas em Bagdá, inclusive dois funcionários da agência de notícias Reuters. O grupo, chamado WikiLeaks, disse em entrevista coletiva que obteve o vídeo criptografado, gravado em 12 de julho de 2007, junto a delatores militares, e que foi capaz de assisti-lo e investigá-lo depois de violar a codificação.

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Uma fonte de defesa do governo dos Estados Unidos confirmou a autenticidade do vídeo, que reproduz a mira do armamento do helicóptero, e do respectivo áudio, com a conversa entre tripulantes.

Ele mostra uma vista aérea de um grupo de homens andando em uma praça em um bairro de Bagdá. Os tripulantes identificam alguns dos homens como estando armados.

O WikiLeaks disse que entre os homens na praça estavam Namir Noor-Eldeen, de 22 anos, fotógrafo da Reuters, e seu assistente e motorista, Saeed Chmagh, de 40 anos. Ambos morreram no incidente.

"A reunião na esquina alvejada tem cerca de nove pessoas", disse o porta-voz do WikiLeaks, Julian Assange.

O visor da mira segue os dois funcionários da Reuters, enquanto os tripulantes identificam suas câmeras como armas.

O helicóptero inicialmente dispara contra o pequeno grupo. Minutos depois, uma van aparece, seus ocupantes começam a ajudar os feridos, e o helicóptero atira contra o veículo.

O editor-chefe da Reuters, David Schlesinger, disse, a propósito do vídeo, que as mortes dos dois colaboradores da agência foram "trágicas e emblemáticas dos perigos extremos que existem na cobertura de zonas de guerra."

"O vídeo divulgado hoje via WikiLeaks é uma evidência explícita dos perigos envolvidos no jornalismo de guerra e das tragédias que podem resultar", afirmou.

A Reuters tem pressionado os militares dos Estados Unidos a realizar uma investigação completa e objetiva sobre a morte de seus dois funcionários.

Um vídeo do incidente, feito de dois helicópteros Apache dos Estados Unidos, e fotos tiradas no local já haviam sido mostradas a editores da Reuters em Bagdá em 25 de julho de 2007, numa reunião não oficial.

Oficiais norte-americanos que apresentaram o material disseram que a Reuters deveria solicitar cópias sob a Lei de Liberdade de Informação. O pedido foi feito no mesmo dia.

Assange disse discordar da avaliação dos militares de que o ataque era justificado.

"Acredito que, se essas mortes foram legais sobre as regras de engajamento (em combate), então as regras de engajamento estão erradas, profundamente erradas", disse ele, para quem os tripulantes agiram "como se estivessem jogando um jogo de computador, e o seu desejo fosse obter placares altos" com a morte de oponentes.

O WikiLeaks divulgou o vídeo no site www.collateralmurder.com.

(Reportagem de David Alexander e Phillip Stewart)

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