Vídeo de resgate da Colômbia contradiz versão oficial sobre uso de logotipo da Cruz Vermelha

A divulgação de um vídeo do resgate militar, em 2 de julho, de 15 reféns da guerrilha colombiana das Farc, contradiz a versão oficial sobre a utilização do logotipo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) durante a operação.

Redação com agências internacionais |

Segundo o vídeo, que dura uma hora e foi divulgado na noite de segunda-feira pelo canal de TV privado RCN, a utilização do símbolo do CICV estava prevista desde o início da operação e não ocorreu durante o momento de tensão, como havia afirmado o presidente colombiano, Alvaro Uribe.

Além de Ingrid Betancourt, seqüestrada desde fevereiro de 2002, foram resgatados os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, mantidos reféns desde fevereiro de 2003, e 11 soldados do Exército e da Polícia colombianos, alguns deles com mais de dez anos nas mãos dos rebeldes.


Vídeo mostra comemoração de reféns no helicóptero / AFP

"É grave que toda a verdade não tenha aparecido após as primeiras investigações", declarou o governo colombiano após a divulgação das imagens.

"Também é grave que membros das Forças Armadas filtrem notícias de forma clandestina e sem coordenação com seus superiores", acrescentou.

O ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, garantiu que o governo não autorizou a utilização pelo Exército do logotipo do CICV.

Diminuir tensão

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, havia admitido que um oficial do Exército usou um colete com o símbolo da Cruz Vermelha na operação de resgate do dia 2 de julho passado.

"O nome do oficial será preservado para não arriscar sua vida, além de querermos protegê-lo em sua carreira", destacou Uribe durante ato público.

Segundo o presidente, o uso dos símbolos da Cruz Vermelha foi feito para atenuar o nervosismo gerado pela operação de resgate, mas destacou que "em nenhum momento se pretendeu suplantar a ação dos organismos humanitários".

"O oficial tirou um pedaço de pano com os símbolos do CICV que estava em seu bolso e o colocou sobre seu colete. Lamentamos que isso tenha ocorrido", acrescentou.

Uribe informou ainda que o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e os altos comandos militares se reuniram com o representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para dar explicações e apresentar desculpas.

No entanto, o presidente explicou que os militares que realizaram a operação estavam desarmados e que o resgate foi feito sem derramamento de sangue. 


Vídeo mostra a prisão dos guerrilheiros das Farc / AFP

Enganados com emblema

Os dois guerrilheiros detidos na operação, Gerardo Aguilar (ou 'César') e Alexander Farfán ('Gafas'), relataram aos delegados do CICV que os militares colombianos os haviam enganado usando o emblema do organismo humanitário e da cadeia de televisão Telesur, afirmou seu advogado, Rodolfo Ríos, à AFP.

"Eles falaram isso em várias oportunidades, assinalando que o Exército simulou a presença da Cruz Vermelha e que 3 ou 4 das pessoas que participaram na operação usavam símbolos do CICV".

"O emblema da Cruz Vermelha tem que ser respeitado em todas as circunstâncias e não pode ser usado de maneira abusiva", indicou o CICV em comunicado emitido em Bogotá no dia 16 de julho.

A entidade destacou a importância do respeito a seu emblema "como um signo protetor que permite a seus representantes aceder as zonas mais afetadas pelo conflito armado e levar a cabo suas atividades de proteção e de assistência às vítimas".

"O CICV, organização humanitária neutra e imparcial, deve ter a confiança de todas as partes em conflito para levar a termo sua ação humanitária", precisou o texto divulgado em Bogotá.

(*Com informações das agências EFE e AFP)

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