Vida ou morte num submarino acidentado é uma questão de segundos

Uma questão de segundos: disso depende a vida ou a morte da tripulação de um submarino onde qualquer falha ou defeito pode se transformar numa tragédia num abrir e fechar de olhos, segundo os especialistas.

AFP |

Foi exatamente isso que aconteceu para as 20 pessoas que morreram ao aspirar o gás freón liberado pelo sistema antiincêndios do "Nerpa", um submarino nuclear que acaba de sair dos estaleiros russos.

"Todo mundo sabe que, quando se navega num submarino, em um espaço tão fechado, se corre muitos riscos", explicou o capitão de navio Antoine Beaussant, chefe de operações da Fuerza Oceânica Estratégica (FOST), que comanda dez submarinos nucleares franceses.

"A bordo, a segurança de todo mundo depende da capacidade de cada um um cumprir com seu trabalho depois de realizar ensaios quase diários em situações de incêndio ou entrada de água, os dois pesadelos de todo submarinista", enfatizou.

No entanto, o comandante diz que o panorama não é tão sinistro e recorda o último acidente fatal ocorrido a bordo de um submarino francês, em 1994, no qual morreram dez marinheiros, vítimas de uma sucessão de circunstâncias: um vazamento de água, sem gravidade, mas espetacular, a ordem de subir à superfície imediatamente, as máquinas à toda marcha e um conduto de vapor que explodiu no compartimento onde estavam os dez submarinistas.

"Em caso de incêndio, o principal perigo são os vapores tóxicos", acrescentou Beaussant.

Por isso, uma vez dado o alarme, as equipes de intervenção devem chegar ao local imediatamente para apagar o fogo.

Em certos compartimentos, concretamente os dos motores diesel, das baterias ou máquinas, meios de extinção fixos completam o dispositivo e difundem, segundo o caso, água, espuma ou gases inertes.

Estes últimos têm como objetivo apagar o incêndio diminuindo a porcentagem de oxigênio no ambiente. Mas é preciso evacuar todos os membros da tripulação da zona antes de empregá-los. Caso contrário, provocam asfixia, como pode ter ocorrido no "Nerpa".

O outro grande perigo em um submarino são os vazamentos de água. Se são importantes, a reação da equipe deve ser como um reflexo, imediato e sem pensar.

Um submarino que navegue a 200 metros de profundidade deve voltar para a superfície em 30 segundos para que evitar que o vazamento implique uma catástrofe.

A respeito da parte nuclear do submarino, o pior pesadelo é o que aconteceu em Chernobil: falha do sistema de esfriamento do núcleo do reator, que se torna incontrolável e entra em fusão.

ha/cn

    Leia tudo sobre: submarino

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG