Vida de Sissi ganha refilmagem mais realista e menos romantizada

Luis Lidón Lehnhoff. Viena, 18 mai (EFE).- Rebelde, inteligente, emancipada e em choque contínuo por defender seus ideais em uma corte decadente e conservadora: este é o novo retrato pintado de Elisabeth de Wittelsbach, imperatriz da Áustria, rainha da Hungria e mais conhecida como Sissi.

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"O antigo filme de Sissi representava os gostos de um certo tipo de cinema kitsch austríaco dos anos 50. Agora, tentamos fazer um filme de 2009", disse Xaver Schwarzenberger, diretor da minissérie de dois capítulos de coprodução europeia que é rodada em Viena.

"O papel da mulher mudou desde então. Aqui, falaremos claro dos problemas matrimoniais (de Sissi) e de seus ideais políticos", acrescentou o diretor, que procura se distanciar da versão anterior, feita para o cinema.

A imperatriz foi "o primeiro ícone pop da história", segundo a definição de Schwarzenberger, e uma mulher à frente do seu tempo: fazia esportes, viajava, escrevia poesia e nunca aceitou o papel secundário que lhe destinaram nessa "jaula de ouro" que era a corte.

O filme pretende se aproximar mais da verdade histórica para contar os conflitos de uma mulher que achava ter alcançado seu sonho de encontrar um príncipe encantado e que acordou em um pesadelo de enganos e traições amorosas.

A atriz escolhida para interpretar Sissi e que parece encarar com naturalidade a comparação com Romy Schneider é a italiana Cristiana Capotondi, de 28 anos.

Um olhar transparente, um certo ar de inocência e um perfil delicado que lembram tanto Schneider como Sissi são a melhor carta de apresentação de uma atriz desconhecida que sonhava desde os seis anos em representar a imperatriz.

"Tento esquecer os precedentes, caso contrário ficaria louca.

Penso na história e em tentar representar da melhor forma possível um personagem de carne e osso", explica a atriz sobre o fardo de enfrentar as comparações.

Para o diretor, a jovem atriz é um dos pontos altos do filme, não só pela capacidade de interpretação e pela desenvoltura, mas porque consegue se distanciar do peso que é fazer o mesmo papel de Schneider, mais do que faria uma alemã ou austríaca, segundo o cineasta.

A produção quer dar vida a uma mulher com dúvidas, decepções e momentos de felicidade, mas nessa "humanização" não se pretende colocar fim ao mito de Sissi, por isso o filme termina quando ela é coroada rainha da Hungria, no apogeu de sua vida.

O diretor ressalta que, embora o retrato do filme seja mais rico em matizes e mais duro, foram deixados de lado os últimos anos da vida da imperatriz, quando seu filho Rudolf se suicida, e ela passa a sofrer de neuroses e a ter problemas de saúde devido à anorexia.

Durante esses anos nos quais Sissi vestiu luto rigoroso é que foi forjado o outro lado da moeda do mito positivo dos primeiros anos da rainha húngara, e ela mergulhou na imagem infeliz e trágica que a acompanhou até a morte, em 1898, quando foi assassinada por um anarquista.

A coprodução austro-germânico-italiana está orçada em 11 milhões de euros e tem um elenco de atores com carreira sólida na televisão.

Um dos papéis mais importantes é o da arquiduquesa Sofia, interpretada pela alemã Martina Gedeck, que viu em Sissi e em seus ideais "modernos" um foco de instabilidade.

A imperatriz se casou com Francisco José I aos 16 anos e teve choques contínuos com a arquiduquesa, pois não aceitava se sujeitar ao rígido protocolo palaciano.

Como no caso de Cristiana Capotondi para o papel principal, os responsáveis do filme se encantaram por David Rott, um rosto desconhecido, para interpretar o imperador Francisco José I.

As gravações em Viena estão sendo realizadas em vários cenários históricos que marcaram a vida daquela que foi considerada uma das mulheres mais belas de sua época.

A estreia internacional do filme está prevista para dezembro. EFE ll/db

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