Vice-presidente sunita do Iraque veta lei eleitoral

O vice-presidente sunita do Iraque, Tariq al-Hashemi, vetou a nova lei eleitoral do país, colocando em dúvida a realização das eleições parlamentares iraquianas marcadas para janeiro de 2010. De acordo com o correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir, Al-Hashemi quer uma maior representação para a 4 milhões de iraquianos que deixaram o país, a maioria sunita.

BBC Brasil |

A nova lei, que levou vários dias para ser aprovada pelo Parlamento em Bagdá, prevê uma representação de apenas 5% das cadeiras da Casa para a representação de refugiados.

Al-Hashemi quer que este número seja aumentado para 15% e, por isso, vetou o Artigo 1 da nova lei eleitoral, enviando-a de volta ao Parlamento.

A Comissão Eleitoral Independente do Iraque afirmou que a data da eleição, 21 de janeiro, está mantida. A Constituição determina que a votação ocorra até o fim de janeiro.

A eleição é vista como pré-requisito para que os Estados Unidos retirem as tropas de combate do país até agosto.

Curdos
Os dois vice-presidentes do Iraque, um sunita e outro xiita, assim como o presidente, que é curdo, podem vetar leis e emendas.

Em uma entrevista coletiva em Bagdá, al-Hashemi afirmou que, apesar de vetar o Artigo 1 da nova lei eleitoral, ele não é contra a nova legislação e não quer atrasar ainda mais o processo, pondo em risco a realização do pleito até janeiro de 2010.

"Enviei uma carta ao Parlamento pedindo uma emenda à lei. O Parlamento afirmou que eu poderia vetar o primeiro artigo, que é o que fiz hoje", disse.

Al-Hashemi afirmou acreditar que a questão seja resolvida rapidamente, em apenas uma sessão no Parlamento, abrindo caminho para sua ratificação final pelo Conselho de Presidência do Iraque, formado pelo presidente e os dois vices.

No entanto, de acordo com Jim Muir, este não é o único problema para as eleições iraquianas de janeiro de 2010. Os curdos, no norte do país, afirmaram que poderão boicotar a votação.

O presidente Jalal Talabani, que é curdo, afirmou que está insatisfeito com o fato de que apenas três das 48 cadeiras extras da nova câmara terem sido destinadas para as províncias de Dohuk, Arbil e Sulaimaniya, de maioria curda. Muitos curdos veem isto como uma forma de diminuir sua influência junto ao governo central.

O correspondente da BBC afirma que é difícil imaginar uma eleição sem a participação dos curdos, por isso será necessário mais tempo para se chegar à uma solução para mais este problema.

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