Vice-presidente paraguaio acentua diferenças com Lugo em ato em Assunção

Assunção, 18 abr (EFE).- O vice-presidente do Paraguai, Federico Franco, acentuou hoje suas diferenças com o presidente Fernando Lugo, durante um ato contrário ao que o líder realizará na próxima terça-feira, para comemorar o segundo ano de sua chegada ao poder.

EFE |

Franco liderou uma caravana de carros que terminou com um comício em frente à sede do Panteão Nacional dos Heróis, em Assunção, e que contou com a presença de centenas de pessoas, para lembrar antecipadamente e distante de Lugo a vitória nas eleições gerais de 20 de abril de 2008.

Lugo e Franco venceram as eleições com a Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), uma coalizão de amplo espectro ideológico que pôs fim a 61 anos de hegemonia do Partido Colorado.

A mobilização, que começou na cidade de Itauguá, a 35 quilômetros a leste da capital, foi convocada depois que o vice-presidente confirmou que não foi convidado para o evento que Lugo realizará na próxima terça-feira, em uma praça no centro de Assunção.

Franco, um dos principais opositores à gestão de Lugo, exigiu, durante seu discurso, "maior respeito e preponderância" para o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, de centro-direita), principal força dentro da APC.

O vice-presidente lidera uma fração do PLRA que acusa o líder de marginalizá-los e excluí-los dos principais cargos e decisões do Governo, enquanto os partidários de Lugo dizem que Franco conspira contra o Executivo.

Nesse sentido, o senador Blas Llano, outro dirigentes do PLRA e próximo a Lugo, criticou na semana passada a postura do vice-presidente e disse que ele mantém um discurso "autoexcludente" e que, com sua postura, pratica "suicídio político".

Franco também lamentou durante seu discurso que o aniversário da vitória nas eleições se dê em meio a denúncias de suposta corrupção de altos funcionários estaduais.

O vice-presidente fez alusão ao processo decretado na quinta-feira passada pelo juiz Óscar Delgado contra o ministro de Emergência Nacional paraguaio, Camilo Soares, e outros dois funcionários do organismo por supostos desvio de recursos, no valor de US$ 900 mil.

No mesmo dia, o promotor Martín Cabrera acusou o presidente da companhia petrolífera estatal paraguaia, a Petropar, Juan González Meyer, de ter desviado US$ 264.400 com a suposta cessão irregular de três reservatórios da Petróleos de Venezuela S . A. (PDVSA).

Franco esteve acompanhado na mobilização por seu irmão, o senador Julio César Franco, que também foi vice-presidente do país; pelo deputado Enrique Salyn Buzarquis, e por outros membros do PLRA.

Buzarquis disse que "o Partido Liberal não assinou um cheque em branco (para Lugo)" e que a formação política "não dá apoio incondicional" ao líder.

"Lugo tem que cumprir com suas palavras e promessas. Quando jurou o cargo de presidente, caíam lágrimas quando falava em ajudar as crianças desamparadas nas ruas, os indígenas e as pessoas que não conseguiam dormir por causa da insegurança", disse o deputado.

"Presidente, cumpra com seu compromisso. Deixe de tolices, não vamos te acompanhar em sua política chavista. Tire da cabeça que os liberais vão apoiar o socialismo do século XXI", acrescentou Buzarquis, em alusão à empatia de Lugo pelo modelo político desenvolvido do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. EFE rg/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG