Vice-presidente e ex-chanceler cubanos renunciam a seus cargos

O vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, e o ex-chanceler Felipe Pérez Roque renunciaram a todos os cargos no governo e no Partido Comunista depois que admitiram ter cometido erros, segundo duas cartas publicadas na edição desta quinta-feira do jornal oficial Granma.

AFP |

Os dois dirigentes apresentaram os pedidos de demissão ao presidente cubano Raúl Castro e reconheceram suas responsabilidades em duas cartas com data de terça-feira, que têm cópias, com suas assinaturas, reproduzidas no jornal.

Ambos foram acusados pelo líder comunista Fidel Castro de ter ambições e uma conduta indigna, depois que o governo de Raúl Castro anunciou uma profunda reforma do gabinete.

Lage, médico de 57 anos, renunciou ao posto de vice-presidente, membro do seleto gabinete político do Partido Comunista de Cuba (PCC) e do Comitê Central da formação, assim como à cadeira de deputado.

"Reconheço os erros cometidos e assumo a responsabilidade. Considero que foi justa e profunda a análise realizada na última reunião do birô político, na qual se avaliou a reestruturação proposta por Raúl", afirma a carta de Lage.

Carlos Lage era uma figura muito popular do governo, tanto na ilha quanto no estrangeiro, por ter sido artífice de algumas reformas econômicas dos anos 1990 em um país, então duramente atingido pela queda da URSS.

Pérez Roque, de 44 anos e que era o chefe da diplomacia cubana há uma década, renunciou à condição de membro do Conselho de Estado (Executivo), do Comitê Central do PCC e ao cargo de deputado.

"Reconheço plenamente que cometi erros, que foram amplamente analisados na reunião. Assumo minha total responsabilidade por eles", afirma o ex-chancelera na carta.

Os dois reiteraram a "lealdade" e "fidelidade" aos irmãos Fidel e Raúl Castro, assim como ao PCC. Também afirmaram que continuarão defendendo os ideais da revolução.

Em um comentário publicado na terça-feira, Fidel Castro, 82 anos, indicou que dois altos dirigentes do governo não haviam sido afastados por "falta de valor pessoal", mas por ter tido ambições que os levaram a desempenhar um papel indigno.

Ao classificar as reestruturações como "mudanças saudáveis", o líder cubano negou que as mesmas se tratem de "substituição dos 'homens de Fidel' por 'homens de Raúl'".

Aumentando as interrogações sobre as causas das destituições, o ex-presidente afirmou que "o inimigo exterior estava cheio de ilusões a respeito deles", referindo-se aos dois dirigentes, a quem acusa de ter sucumbido à embriaguez do poder.

Os afastamentos, em alguns casos misteriosos, de personalidades políticas ou militares não são raros na ilha comunista.

Apesar de sua aposentadoria médica, Fidel Castro, 82 anos, continua presente na mídia, através de suas "reflexões" sobre a atualidade e a política cubana.

Ele afirmou ter aprovado o remanejamento ministerial decidido por seu irmão Raul e negou uma substituição dos homens de Fidel por homens de Raul, conforme afirmaram vários especialistas.

sb/fp/lm

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