Vice-presidente do Governo da Espanha agradece Lula por fomento do espanhol

Brasília, 4 ago (EFE).- A primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, presidiu hoje a assinatura de um convênio de colaboração com o Brasil para fomentar o ensino do espanhol neste país, e agradeceu a decidida colaboração do Executivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse objetivo.

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María Teresa começou a agenda oficial de sua visita ao país no Instituto de Cervantes de Brasília, e participou de ato no qual este centro e o Ministério da Educação brasileiro se comprometeram a estudar formas de colaboração para promover o ensino do espanhol no Brasil.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a língua como veículo de integração dos países ibero-americanos e reafirmou a aposta do Governo Lula com o ensino do espanhol.

Haddad se referiu à importância das novas tecnologias para continuar avançando no conhecimento desta língua.

Já a representante espanhola insistiu em que o Brasil é um país pujante e em alta, que chegará a 230 milhões de pessoas que, por decisão própria e graças ao compromisso do Governo brasileiro, terão mais facilidade para se enriquecer com "o rico patrimônio" do espanhol.

A espanhola se referiu assim ao fato de que, desde julho de 2005, o ensino do espanhol está sendo implantado em todo o sistema de ensino médio, e o Governo brasileiro decidiu estender a medida ao ensino fundamental.

Essa medida permitirá aos mais de 50 milhões de estudantes e os milhares de professores que já estudam espanhol no Brasil contar com mais meios, mais recursos e mais possibilidades.

"O Brasil e os brasileiros querem se aproximar da Espanha, e a Espanha quer estar mais perto do Brasil. E está mais perto do que nunca, porque nos últimos dez anos não deixamos de aumentar a presença dos centros do Instituto Cervantes no país", disse.

O acordo assinado hoje representa abrir mais uma vez as portas ao novo mundo, "um mundo com sotaque português e espanhol, com esse sotaque 'portunhol' que circula pelas artérias do coração ibero-americano que compartilhamos", disse a primeira vice-presidente do Governo espanhol.

María Teresa lembrou que mais de 600 milhões de pessoas falam o espanhol ou o português, idiomas que considerou que se transformaram hoje em sinônimo de prosperidade.

Após lembrar que o valor econômico do castelhano é calculado em mais de 15 bilhões de euros e representa cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) espanhol, precisou que esses números ficam muito aquém quanto à verdadeira riqueza representada pela língua.

A diretora do Instituto Cervantes, Carmen Caffarel, agradeceu esse apoio e concordou com Haddad no potencial das novas tecnologias para o ensino de idiomas.

O acordo assinado hoje estabelece que o Instituto Cervantes oferecerá sua experiência para a formação de professores à distância, através da internet, e colaborará assim com as ambiciosas metas de uma legislação promulgada em 2005 no Brasil.

Essa lei impõe a obrigatoriedade do ensino do espanhol em todas as escolas do país a partir do próximo ano, sempre que houver demanda dos alunos.

O impulso dado a essa legislação valeu a Lula o Prêmio Don Quixote de la Mancha, que o Governo de Castela-La Mancha e a Fundação Santillana concederam ao líder brasileiro em 2008, e que ele recebeu das mãos do rei Juan Carlos da Espanha em cerimônia em Toledo, em outubro do ano passado.

O Ministério da Educação calcula que, para atender as obrigações impostas pela lei, serão necessários cerca de 26 mil professores de espanhol, e atualmente o país só conta com 12 mil.

Na formação dos 14 mil educadores que faltam, há a participação da Embaixada da Espanha e de outras organizações que, como o Instituto Cervantes, colocaram o Brasil no foco de seus objetivos culturais.

O Instituto Cervantes iniciou suas operações no Brasil em julho de 1998, quando inaugurou seu primeiro centro, em São Paulo.

Em setembro de 2001, implantou seu núcleo do Rio de Janeiro e, desde então, a expansão acelerou.

Em julho de 2007, o príncipe Felipe da Espanha liderou, em Brasília, um ato no qual foram inauguradas simultaneamente as novas sedes do Instituto Cervantes na capital do país e em Salvador, Curitiba e Porto Alegre.

Depois, começaram a funcionar os centros de Recife, Belo Horizonte e Florianópolis, e com isso o Instituto Cervantes passou a ter nove centros no Brasil.

O Instituto Cervantes, que atualmente tem cerca de 6 mil alunos em seus nove centros no Brasil, concedeu, desde que se instalou no país, quase 27 mil diplomas de espanhol como língua estrangeira - conhecidos como DELE.

Calcula-se que o espanhol é a língua utilizada por mais de 400 milhões de pessoas no mundo.

Além do Instituto Cervantes e da oferta imposta pela lei nas escolas, há no Brasil cerca de 2,7 mil centros privados de ensino de espanhol e aproximadamente 50 universidades - 30 delas públicas -, oferecem licenciaturas nesta língua. EFE BB-ed/an

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