Vice-presidente colombiano diz que consumo de cocaína destrói florestas

Londres, 18 nov (EFE).- O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, pediu hoje aos europeus que tomem consciência de que o consumo de cocaína contribui para a destruição da floresta tropical e para a morte violenta de milhares de pessoas.

EFE |

"Se você consome um grama de cocaína, está destruindo quatro metros quadrados de floresta tropical. Não se trata apenas da floresta colombiana e estamos falando de algo que pertence a todos" que vivem no planeta, "portanto todos deveriam estar preocupados, disse o vice-presidente em declarações à "BBC".

Santos está em Belfast, na Irlanda do Norte, para participar de uma conferência organizada por uma associação policial local com o objetivo de alertar sobre os danos que o consumo de cocaína na Europa e nos Estados Unidos está causando em seu país.

Segundo Santos, 300 mil hectares de floresta tropical são destruídos anualmente para o cultivo de coca no território colombiano controlado por grupos de narcotraficantes e pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ele acrescentou que, para a proteção destes grupos, eles cercam estas terras e os laboratórios onde a droga é processada de minas terrestres, que só este ano mataram 900 pessoas.

"O dinheiro usado para comprar cocaína termina nas mãos das Farc e de outros grupos ilegais, que põem as minas, que seqüestram, que assassinam e que recorrem ao terrorismo para proteger seu negócio", acrescentou Santos, que também se reuniu com estudantes norte-irlandeses para advertir-lhes sobre os perigos do consumo de drogas.

O vice-presidente reconheceu que é impossível persuadir aqueles que sofrem de dependência do impacto de suas ações ao meio ambiente, por isto que dirigiu sua mensagem aos consumidores esporádicos, que em muitos casos são pessoas com consciência ecológica.

Dizer "a alguém que dirige um carro híbrido, que recicla o lixo e que se preocupa com a mudança climática", que "uma noite de festa destruirá quatro metros quadrados de floresta pode lhe ajudar a tomar outra decisão", declarou Santos, preocupado com o forte aumento do consumo de cocaína na Europa nos últimos anos.

De nada adiantam as medidas repressivas contra os narcotraficantes se nada for feito por parte dos consumidores, acrescentou o vice-presidente, que lamentou a aceitação social que a cocaína tem nas classes médias européias.

"Há uma sensação de frustração, pois aqui o consumo de droga é visto como uma questão de escolha pessoal e, de certo modo, a cocaína é vista como o champanhe das drogas, que não causa nenhum efeito e que parece ser um crime sem vítimas", declarou. EFE fpb/ab/fal

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