Vice-presidente argentino nega conspiração contra Governo

Buenos Aires, 18 jul (EFE).- O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, desmentiu hoje os rumores entre setores governistas sobre uma suposta conspiração contra o Governo e defendeu virar a página no conflito que o Executivo enfrenta com o campo e a busca de uma saída pactuada.

EFE |

Cobos, que também é presidente do Senado, se tornou um dos personagens mais populares da Argentina após dar o voto decisivo contra a iniciativa do Governo de elevar os impostos às exportações de grãos, estopim do conflito entre o Executivo e os produtores rurais.

"Foi um momento difícil, mas acho que era necessário se unir em torno de algo que tivesse um consenso maior", explicou hoje Cobos a uma rede de televisão local da cidade de Mendoza, onde descansa após sua polêmica decisão.

Segundo o vice-presidente, a rejeição da proposta do Governo no Senado por seu voto "causou certa tranqüilidade e uma moderada alegria" entre os argentinos sobre um assunto que "dividiu o país".

A partir de agora, é preciso buscar consensos para elaborar uma nova lei que satisfaça as partes e se concentre em outros objetivos do Governo, disse Cobos.

O político foi expulso do Partido Radical após aceitar a Vice-Presidência no Governo peronista da chefe de Estado argentina, Cristina Fernández de Kirchner, em uma iniciativa de acordo apoiada pelo ex-presidente Néstor Kirchner para buscar alianças entre a oposição.

Cobos chamou de "carentes de bom senso" as versões que circulam entre setores radicais do Governo sobre supostas conspirações contra o Executivo e garantiu que não tem planos políticos para as eleições de 2011, embora não tenha se fechado completamente à idéia.

O vice-presidente, que ratificou sua intenção de se manter no cargo, admitiu que não conversa com Cristina desde o dia 7 e disse que seria desejável manter uma boa relação institucional com a presidente.

Segundo ele, os comentários sobre "deslealdade" feitos ontem à noite por Cristina, sem citar Cobos diretamente, não têm relação com ele, pois os dois fizeram "parte de um processo chamado de concerto, onde a pluralidade era parte do amparo dessa nova proposta".

"Continuarei cumprindo minhas funções como vice-presidente, que é presidir o Senado", comentou.

A rejeição da proposta do Governo no Senado, com o voto decisivo de Cobos, evidenciou a fragilidade interna da situação e a fraqueza do Governo de Cristina, bastante desgastado após quatro meses de conflito com os produtores agrários. EFE mar/wr/rr

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