Buenos Aires, 6 jul (EFE).- O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, afirmou que nunca renunciará ao cargo, apesar de dizer que quem o criticou duramente dentro do próprio Governo deve entender que se pode ter um pensamento diferente.

Em entrevista publicada hoje em Buenos Aires, o também presidente do Senado disse que não acredita que "esteja condenado ao ostracismo" por ter tido diferenças com o esquema tributário para as exportações de grãos do Executivo, e que gerou um duro conflito com o setor rural.

"Eu não renunciarei em nenhuma circunstância. Terminarei meu mandato, assim como (a presidente da Argentina) Cristina (Fernández de Kirchner) terminará o seu", declarou.

Cobos foi questionado internamente por ter convocado governistas e oposicionistas ao Senado para debaterem as retenções móveis sobre as exportações, aprovadas ontem pela Câmara dos Deputados após mais de 17 horas de sessão.

"Desqualificar o vice-presidente não faz bem à democracia. A única que peço é respeito à instituição, ao vice-presidente", disse Cobos.

Sobre os mais de cem dias de protestos do setor agropecuário contra os impostos móveis sobre as exportações de soja, milho, trigo e girassol, Cobos disse que "é preciso enfrentar e solucionar os conflitos, e não deixar que se estendam por tanto tempo".

"Cristina tem toda a capacidade para administrar esse problema conjuntural e terminar o mandato em 2011", deixou claro antes de avaliar como "um avanço institucional muito importante" a aprovação do esquema tributário na Câmara dos Deputados.

Cobos apoiava um projeto diferente do aprovado e garantiu que, quando a iniciativa for debatida no Senado - o que deve acontecer nos próximos dias -, "serão garantidas todas as possibilidades de diálogo". EFE hd/wr/gs

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