Vice-premiê britânico é advertido ao cometer gafe sofre Iraque

Em pronunciamento no Parlamento, Clegg classifica conflito de "ilegal", declaração que contrasta com posição de premiê britânico

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo mostra vice-premiê britânico, Nick Clegg, durante pronunciamento à Câmara dos Comuns, em Londres
O vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, qualificou nesta quarta-feira de "ilegal" a guerra no Iraque, deflagrada em 2003 com a invasão liderada pelos EUA, durante sua primeira intervenção na Câmara dos Comuns.

Clegg, que durante muito tempo rejeitou a guerra iraquiana, substituía o primeiro-ministro David Cameron na sessão semanal de perguntas dos legisladores ao premiê, que atualmente visita os EUA.

Em debate com o trabalhista Jack Straw, que em 2003 era o chefe da diplomacia de Tony Blair, o atual vice-premiê disse que "talvez, algum dia, o senhor deverá prestar contas do papel que teve na mais desastrosa de todas as decisões, a da invasão ilegal do Iraque".

O comentário causou surpresa, já que Cameron apoiou a guerra, assim como a maior parte do Partido Conservador, que atualmente integra a coalizão governamental com os liberais-democratas de Clegg.

Um porta-voz do governo explicou posteriormente que Clegg expressou um "ponto de vista pessoal" que já era conhecido há algum tempo. Cameron sempre apoiou a presença das tropas britânicas no Iraque para apoiar a campanha militar dos Estados Unidos.

"O governo de coalizão não expressou seu ponto de vista sobre a legalidade - ou não - do conflito iraquiano", destacou o porta-voz de Downing Street. "Mas isso não significa que os membros do governo não possam expressar seus pontos de vista pessoais."

Segundo o jornal britânico Guardian, a explicação não foi suficiente para atenuar as advertências de que sua declaração poderia representar um problema para a Grã-Bretanha. De acordo com Philippe Sands, professor de direito da University College London, a declaração, feita em uma situação formal por um ministro do governo, poderia aumentar o risco de acusações contra o país nas cortes internacionais.

"Uma declaração pública por um membro do governo no Parlamento em relação à legalidade do conflito seria um pronunciamento que poderia interessar a uma corte internacional, com o objetivo de estabelecer se a guerra foi ou não legal."

*Com AFP

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