Vice venezuelano diz que Chávez está trabalhando muito

Elías Jaua apresenta medidas assinadas por presidente para provar sua atividade em Cuba, onde está desde cirurgia há 12 dias

iG São Paulo |

O vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, assegurou na terça-feira que o presidente do país, Hugo Chávez, está trabalhando muito ao informar de várias verbas orçamentárias aprovadas pelo líder nas últimas horas. "Como vemos, está trabalhando muito para nosso povo", indicou Jaua em uma transmissão da televisão estatal.

Jaua informou de vários créditos milionários para bolsas de estudos e para o sistema educacional, verbas orçamentárias para o sistema de seguridade social do Ministério da Educação e de fundos destinados a outros organismos que foram aprovados pelo presidente desde Havana.

"O presidente está se recuperando bem", também afirmou na terça-feira o ministro de Comunicação Andrés Izarra, sem dar datas sobre seu possível retorno.

Chávez completou nesta quarta-feira 12 dias desde que foi operado de urgência de um abscesso pélvico na capital cubana e, por enquanto, não há previsão para o retorno do presidente venezuelano a seu país.

A ausência de Chávez, que também não detalhou seu estado de saúde, levantou suspeitas na Venezuela e desencadeou na última semana sinais contraditórios dentro do governo. O deputado do governista PSUV Saúl Ortega disse na segunda-feira que Chávez chegaria nas "próximas horas", mas o próprio ministro de Comunicação desmentiu o legislador posteriormente.

A conta de Chávez no Twitter, @chavezcandanga, em que o presidente habitualmente informa de decretos e decisões do governo e é acompanhada diariamente por seus fãs e jornalistas na busca de novidades, não é atualizada há 15 dias.

Crise nas penitenciárias

Na terça-feira, o vice-presidente informou que Chávez também lhe deu instruções com relação à crise carcerária que vive o país e ordenou a formação de uma equipe de trabalho para erradicar as máfias que se apoderaram da administração das penitenciárias.

Ele se referia a um levante que ocorre em uma prisão venezuelana desde sexta-feira. Na segunda-feira, os 5 mil militares venezuelanos que cercam o presídio perto de Caracas resgataram 36 dos mais de 1 mil presos "submetidos por máfias" armadas que dominam as prisões.

O comandante da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, Polícia militarizada), general Luis Motta, disse aos jornalistas que pelo menos 35 dos resgatados são detentos da prisão Rodeo 2 da localidade de Guatire, a 50 quilômetros de Caracas.

O ministro do Interior, Tareck El Aissami, disse por sua vez que, segundo informações fornecidas por um dos resgatados, entre os 36 há um "chefe mafioso" que ainda não foi identificado pelas autoridades.

Motta relatou que os reconhecimentos militares noturnos permitiram determinar que havia presos em áreas administrativas e na enfermaria do presídio sem resguardo de "chefes mafiosos". Segundo ele, no início da noite de segunda-feira um grupo de militares os recuperou em veículos blindados.

O ministro do Interior detalhou que entre os 36 resgatados há 11 feridos, e que 42 presos conseguiram sair do presídio. Aissami afirmou que não há confirmação oficial de que os líderes da revolta tenham assassinado detentos, mas que tudo aponta para isso.

AP
Parente de preso olha lista de nomes de prisioneiros transferidos para outras prisões. Lista foi colocada do lado de fora de prisão Rodeo 2 em Guatire, Venezuela (21/06)
O saldo oficial de vítimas da operação militar de desarmamento dos presídios Rodeo 1 e Rodeo 2, iniciada na sexta-feira e que será mantida até a rendição dos presos, é de dois militares e um preso mortos e outros 22 soldados feridos.

Os familiares dos reclusos, porém, dizem que há "vários mortos" baleados pelos militares. O vice-ministro do Interior, Néstor Reverol, detalhou no início da operação que nas duas prisões havia 4.711 presos e que 3.524 deles se concentraram na sexta-feira nos pátios para tomar distância dos que decidiram resistir à operação.

A operação de desarmamento foi ordenada depois que, nos dias anteriores, um enfrentamento entre organizações criminosas deixou 22 na Rodeo 1.

*Com EFE

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