Vice iraquiano duvida que forças locais estejam prontas em 2010

Por Waleed Ibrahim e Mohammed Abbas BAGDÁ (Reuters) - As forças iraquianas talvez não estejam preparadas para garantir sozinhas a segurança do país quando as tropas dos Estados Unidos deixarem o país, em 2010, mas Bagdá não pedirá uma prorrogação da ocupação, disse na quarta-feira o vice-presidente Tareq Al Hashemi.

Reuters |

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse no mês passado que irá retirar todas as tropas de combate do Iraque até o final de agosto de 2010, deixando um contingente de cerca de 50 mil soldados que dará assessoria e treinamento às forças locais durante 2011.

"Tenho dúvidas e ansiedade sobre a prontidão das forças iraquianas a respeito dessas datas", disse Hashemi à Reuters.

"Sinto que o tempo restante (até agosto de 2010) pode não ser suficiente para desenvolver a prontidão das forças de combate do Iraque...Nossas forças ainda dependem completamente das forças norte-americanas para a logística", acrescentou em entrevista.

A invasão norte-americana de 2003 desencadeou uma onda de violência sectária, mas a situação melhorou muito no último ano, e agora as tropas estrangeiras se preparam para partir.

Depois de ter tido suas Forças Armadas dissolvidas em 2003, o Iraque agora tenta a todo custo fazer com que seu Exército e polícia tenham condições de patrulhar as ruas e erradicar os últimos focos de insurgência. O contingente iraquiano já soma milhares de homens, mas em geral falta treino e equipamento, particularmente para questões de logística, inteligência e operações aéreas.

Hashemi alertou que suas preocupações não devem ser interpretadas como um pedido para que as tropas dos EUA adiem sua saída, e acrescentou que o governo Obama dificilmente aceitaria isso, já que seu foco atual é recuperar a economia interna.

"Não acho que sob quaisquer circunstâncias os norte-americanos irão reconsiderar a mobilização das suas forças no Iraque no futuro", disse Hashemi.

O vice-presidente esteve entre aqueles que defenderam um referendo, marcado para este ano, a respeito do acordo de segurança assinado por EUA e Iraque em novembro, que prevê a retirada de todas as tropas norte-americanas até o final de 2011.

O referendo foi visto como uma forma de "corrigir e reformar" o acordo caso Washington cogitasse ficar mais tempo. Mas Hashemi disse que o compromisso de Obama com a retirada atenuou tais preocupações.

"Estou feliz que o governo norte-americano tenha se comprometido com aquilo que o governo anterior (de George W. Bush) aceitou a respeito da retirada das forças. Esse é um bom indicativo, nos tranquiliza e convida à confiança."

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