Vice e rival de Cristina lamenta morte de Néstor Kirchner

Julio Cobos, adversário político de Cristina Kirchner, afirmou que ex-presidente "impactou a vida política" do país

iG São Paulo |

O vice-presidente da Argentina e adversário político da presidente Cristina Kirchner, Julio Cobos, lamentou nesta quarta-feira a morte do ex-líder argentino Néstor Kirchner. "Este homem impactou a vida política argentina", afirmou Cobos, em entrevista ao canal de televisão TN. "Espero que superemos esta situação da melhor maneira."

Cobos foi expulso do partido União Cívica Radical (UCR) quando decidiu fazer parte da chapa de Cristina, em 2007. Porém, um ano depois, ele se tornou um dos principais opositores do governo ao votar contra um projeto de lei que aumentaria impostos ao setor agropecuário.

AFP
Néstor Kirchner passa a presidência para a mulher, Cristina, em cerimônia de posse no Congresso de Buenos Aires, na Argentina (21/10/2010)
Néstor Kirchner morreu nesta quarta-feira, aos 60 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Kirchner e sua mulher, a atual presidente argentina, Cristina, estavam desde o fim de semana em sua casa em El Calafate. O presidente teve de ser internado às pressas no hospital na cidade.

Com problemas cardíacos, Kirchner já havia sido submetido a duas cirurgias de urgência neste ano, em fevereiro e setembro, após serem detectadas obstruções em artérias coronárias.

Kirchner foi presidente da Argentina entre 2003 e 2007. Atualmente, era secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Ele começou sua vida política em 1987, quando foi eleito prefeito da cidade de Río Gallegos, na Provícia de Santa Cruz. Ele conheceu a esposa, Cristina, durante a juventude e em 1975 os dois se casaram. O casal tem dois filhos, de 34 e 21 anos.

Enquanto Cristina já seguia carreia política em Buenos Aires, Kirchner foi eleito prefeito de Río Gallegos e depois, em 1991, foi eleito governador de Santa Cruz. Kirchner governou a província até 2003, após duas reeleições consecutivas, e foi esse cargo que impulsionou sua candidatura à presidência no mesmo ano.

Eleito presidente em 2003, Néstor Kirchner desistiu de concorrer à reeleição em 2007, apesar de estar em fim de mandato com uma popularidade de 50% - o mais alto nível de aceitação desde a restauração democrática, em 1983.

Na época, analistas políticos especulavam que ele havia favorecido Cristina Kirchner, que então ocupava uma cadeira no Senado, com a perspectiva de voltar ao poder em 2011 e garantir ao clã pelo menos 12 anos consecutivos no poder. Mas as chances de o plano dar certo diminuíram com a queda da popularidade de Cristina, que se elegeu em 2007 com a maioria de votos em todas as regiões da Argentina, com exceção de Buenos Aires, a área mais rica e populosa do país.

Os bons índices de popularidade do início do mandato caíram pelas denúncias de corrupção contra o casal, pela incapacidade de controlar a inflação e pela tentativa de cobrar um imposto agrícola que desatou um conflito de meses com os ruralistas em 2008. Como é considerada marionete do marido, os desacertos do governo Cristina acabaram manchando a reputação de Kirchner.

Com Ansa

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