Vice dos EUA visita Paquistão em dia de ataque com 17 mortos

Biden vai a Islamabad para pressionar governo a intensificar combate ao Taleban; atentado é lançado no noroeste do país

iG São Paulo |

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chegou no Paquistão nesta quarta-feira, dia em que o ataque de um homem-bomba deixou pelo menos 17 mortos em uma delegacia no noroeste do país.

Depois de se reunir com os primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, e o presidente Asif Ali Zardari, Biden condenou o assassinato do governador do estado indiano de Punjab, Salmaan Taseer, advertindo das consequências negativas para "as sociedades que toleram ações assim".

AP
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden (à esq.), reúne-se com o premiê paquistanês, Yusuf Raza Gilani, em Islamabad
"O governador foi assassinado simplesmente porque era uma voz a favor da tolerância e o entendimento", disse Biden. Taseer foi morto por seu próprio guarda-costas em 4 de janeiro por se opor à lei da blasfêmia, que prevê a pena de morte para quem se opuser aos preceitos do Islã.

O governista Partido Popular e outros partidos condenaram o atentado, mas alguns partidos e organizações, especialmente as islamitas,chegaram a dizer que o governador teve parte da culpa ao defender certas opiniões e não prestar atenção à sua segurança.

Biden foi a Islamabad para pressionar o governo local a intensificar o combate à insurgência do grupo radical islâmico do Taleban, embora em nenhum momento tenha mencionado a região tribal do Waziristão do Norte, onde Washington quer que o Exército paquistanês faça uma operação.

O vice-presidente garantiu que os EUA mantêm seu compromisso com o Paquistão, em particular por meio de lei aprovada pelo Congresso que prevê ajuda de US$ 7,5 bilhões durante cinco anos, que deve destinar-se exclusivamente a programas econômicos e sociais.

Antes de chegar ao país, o vice americano passou dois dias na capital afegã, Cabul, onde na terça-feira cobrou mais empenho paquistanês no combate à milícia islâmica do Taleban e a outros militantes do Afeganistão, de onde os EUA se preparam para retirar suas tropas.

"(A retirada americana) exigirá mais pressão - mais pressão sobre o Taleban do lado paquistanês da fronteira do que temos sido capazes de exercer. E há muitos dias difíceis pela frente", afirmou.

Áreas tribais do Paquistão na região da permeável fronteira com o Afeganistão abrigam o Taleban e a rede terrorista Al-Qaeda. O governo paquistanês realizou várias ofensivas na região, mas diz não ter capacidade para fazer mais do que isso.

As relações entre os aliados EUA e Paquistão têm estado abaladas por causa das queixas paquistanesas de que Washington não presta apoio adequado e não entende suas necessidades de segurança. Bombardeios dos EUA contra militantes no Paquistão, eventualmente com vítimas civis, também prejudicam as boas relações.

Ataque no noroeste

Uma ataque lançado por um homem-bomba deixou pelo menos 17 mortos, incluindos membros das forças de segurança e civis, nesta quarta-feira emuma delegacia no noroeste do Paquistão. O atentado aconteceu no distrito noroeste de Bannu. 

Um suicida lançou um veículo carregado de explosivos contra uma delegacia, mas a explosão também atingiu uma mesquita e uma escola. O atentado aconteceu justamente quando forças de segurança e civis tinham se reunido na mesquita para a oração da tarde.

Bannu sofreu vários episódios de violência por causa de sua localização, já que faz fronteira ao oeste com a região tribal do Waziristão do Norte.

*Com Reuters, EFE e BBC

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