Vice de McCain oferece pontos fortes e riscos

A governadora do Alasca, Sarah Palin, a escolha do senador John McCain como sua companheira de chapa, tem postura ideológica afinada com a base conservadora do Partido Republicano, mas escassa experiência política que pode ser facilmente usada contra a campanha do republicano, de acordo com os editoriais dos principais jornais do país. Palin, de 44 anos, é mãe de cinco filhos, é contra o aborto e o casamento gay, é uma entusiasta do porte de armas e integrante da National Rifle Association, a principal associação que faz lobby pelo porte de armas nos Estados Unidos.

BBC Brasil |

A governadora defende também a exploração petrolífera até mesmo na área de reserva florestal de seu Estado conhecida como ANWR. Tal posição não é compartilhada nem mesmo por McCain, que recentemente reviu sua posição contra a exploração petrolífera na região costeira dos Estados Unidos.

Para o jornal The New York Times, a escolha é estimulante, pelo fato de que ''o Partido Republicano está longe de ter sido um defensor da diversidade em sua história recente''.

Mas o diário acrescenta, em editorial publicado neste sábado, que ''a ausência de experiência da governadora Palin, especialmente em temas de segurança nacional e política internacional, desperta questões imediatas sobre quão preparada ela está para ter sucesso na Presidência. Este deve ser o único critério para julgar um(a) candidato(a) a vice-presidente''.

Experiência
Palin tem menos de dois anos à frente do governo de seu Estado. E, antes disso, foi prefeita da pequena cidade de Wasilla, com pouco mais de 8 mil habitantes.

Após constantes críticas contra a suposta inexperiência política de Obama, McCain surge com uma companheira de chapa que tem ainda menos expertise internacional e ainda mais escassa experiência política do que a adquirida pelo democrata em quase quatro anos no Senado americano.

O jornal Washington Post adota uma linha semelhante à do Times, destacando o fato de que, se eleito, McCain, de 72 anos, seria o candidato mais velho a chegar à Presidência.

''A pergunta mais importante que McCain deveria ter feito a si mesmo é não se a sra. Palin o ajudaria a chegar à Presidência, mas sim se ela é qualificada e preparada para chegar à Presidência caso algo o impeça de fazê-lo.''
Anticorrupção
Por outro lado, Palin pode ser "vendida" ao eleitorado como um bastião da ética na política.

Sua trajetória até conquistar o governo do Alasca, em 2006, foi marcada por uma campanha na qual denunciou até mesmo os republicanos envolvidos em escândalos de corrupção no Legislativo do Estado.

Quando integrava a Comissão de Conservação do Petróleo e Gás do Alasca, em 2003, ela liderou uma uma investigação sobre a conduta de políticos republicanos e denunciou um colega do partido por conflitos de interesse.

Ao ser anunciada como candidata a vice, Palin fez menções à candidatura de Hillary Clinton, frisando a já mais do que óbvia intenção de McCain de cooptar eleitores e, em especial, eleitoras, da democrata, que estão incertos quanto ao voto em Barack Obama.

Mas parece improvável que as militantes mais politizadas da senadora democrata estariam propensas a votar em alguém cujas credenciais políticas e histórico de vida são tão distintos dos de Hillary.

Dúvidas
Ao indicar Palin, McCain mostrou a sua conhecida ousadia e capacidade de surpreender, visto que a governadora não estava sendo sequer citada como provável candidata a vice em nenhuma lista dos mais cotados.

Para McCain, Palin teria a capacidade, como ele mesmo colocou de ''sacudir Washington'', possivelmente por ver nela um dom semelhante ao seu de se voltar contra as vacas sagradas do Partido Republicano.

Além disso, McCain avaliou que junto ao americano médio teria grande apelo uma ex-candidata a Miss Alaska que é também ardorosa cristã e caçadora de alces nas horas vagas. Além de uma defensora da lisura no processo político.

Mas neste último quesito, a indicada de McCain poderá enfrentar constrangimentos ao longo da campanha. Ela está sob investigação de deputados do Alasca devido à demissão de um comissário de segurança do Estado. Ela é acusada de tê-lo afastado por ele não ter demitido um policial que estava se divorciando de sua irmã.

Outro risco enfrentando por McCain é o de que a inexperiência da governadora seja salientada ao longo da campanha e em horário nobre nas TVs. Palin participará de um debate com o candidato a vice na chapa de Obama, o senador Joe Biden, no próximo dia 2 de outubro.

Diferentemente de Palin, Biden tem uma pesada bagagem internacional e preside atualmente o Comitê de Relações Exteriores do Senado. Ele também está no Senado desde 1972.

Resta ver se a falta de experiência de Palin será um tema que afugentará os eleitores ou se eles comprarão a tese de que ela e McCain representam o que de melhor o Partido Republicano tem a oferecer, como líderes capazes de se insurgir contra a própria legenda, incansáveis no combate à corrupção, mas conservadores em temas sociais e fiscais.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG