Genebra, 21 out (EFE) - O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, disse hoje que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) têm problemas de liquidez, menos alimentos e estão ficando sem armas, por isso começaram a trabalhar diretamente com os cartéis de droga do México em busca de novos recursos. Em entrevista à Agência Efe em Genebra, onde participou da campanha internacional contra as drogas promovida pelo Governo colombiano, Santos afirmou que o grupo armado enfrenta uma situação de desarticulação. (As Farc) Não têm comando, não conseguem se comunicar entre si e o negócio da coca está ficando muito complicado para eles. Nota-se que já não estão na situação confortável que estavam, destacou, após afirmar, no entanto, que estas dificuldades não significam que a cobra esteja morta.

Perguntado sobre se o Governo colombiano refletiu sobre a possibilidade de voltar a autorizar a mediação de três países europeus (Espanha, França e Suíça) em favor dos reféns das Farc, o vice-presidente respondeu que, "por enquanto, esse tema está fechado, mas não permanentemente".

Santos destacou que as Farc "utilizam este tipo de mediação para não chegar a onde queremos, que é nos sentar para discutir e acabar com isso", pelo que o Governo colombiano optou pela estratégia de buscar um contato direto com esse grupo.

Além disso, declarou que a mediação era um elemento de "distração" que prefere evitar.

Em resposta à acusação das Farc -através de um comunicado na internet- de que o Governo deixou de se importar com os reféns após o resgate de Ingrid Betancourt, o vice disse que "quem não se importa com a situação dos reféns são eles, que fecharam a porta a qualquer aproximação".

Santos admitiu que enquanto essa atitude não mudar, "vamos buscar o resgate militar, não podemos ficar tranqüilos esperando que o Espírito Santo os liberte", mas destacou que são buscados "mecanismos e operações que sejam igualmente engenhosos" como a que permitiu a libertação de Betancourt.

Em relação à decisão dos Estados Unidos de aplicar sanções financeiras a membros das Farc presentes em 11 países, incluídos vários da América Latina, ele elogiou esta medida e a qualificou de "valiosa".

Santos afirmou que isso significa que uma pessoa que negocie com as Farc -qualquer que seja sua nacionalidade- corre o risco de ser punida.

O vice colombiano acrescentou que, a partir da informação que está sendo recuperada do computador do Raúl Reyes (antigo número dois das Farc morto em uma operação militar do Exército), estão sendo descobertas "redes disfarçadas menos sofisticadas do que pensávamos, mas ao mesmo tempo mais estendidas na América Latina".

EFE is/db

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