Viagens, polêmicas e diálogo religioso marcam ano de Bento XVI

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 17 dez (EFE).- A decisão de Bento XVI de abrir as portas da Igreja Católica para os anglicanos e a suspensão das excomunhões aos bispos lefebvrianos marcaram 2009, ano no qual o papa viajou para a África, onde condenou o uso do preservativo, e para a Terra Santa, onde pediu um Estado palestino.

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O ano começou com o perdão dos quatro bispos tradicionalistas ordenados em 1988 pelo falecido arcebispo Marcel Lefebvre, mais um passo - após a recuperação da missa em latim - dado por Bento XVI para fechar a ferida aberta com o cisma do século XX causado pelo religioso francês.

No entanto, a suspensão das excomunhões foi ofuscada pelas declarações de um dos bispos, Richard Williamson, que negou o Holocausto judeu, pondo a comunidade judaica em pé de guerra e obrigando o papa a condenar o Holocausto e o regime nazista.

O Vaticano surpreendeu neste ano ao anunciar sua disposição a acolher os tradicionalistas anglicanos contrários às medidas aberturistas da Comunhão Anglicana, como a ordenação de mulheres e de homossexuais como bispos.

Para isso, aprovou uma normativa que prevê a ordenação de clérigos anglicanos já casados como sacerdotes católicos, embora a presença desses religiosos casados não represente mudança alguma nas regras da Igreja Católica, que mantém o celibato sacerdotal.

Foi também em 2009 que Bento XVI viajou para a África pela primeira vez. Em Camarões e em Angola, denunciou a corrupção, disse que o continente sofre de maneira desproporcional com fome, pobreza e doenças e que "implora" por justiça, paz e reconciliação.

No entanto, a viagem ficou marcada pela polêmica gerada por suas declarações contra o uso do preservativo na luta contra a aids, ao afirmar que a pandemia não se combate com preservativos, "que, ao contrário aumentam o problema".

Segundo Bento XVI, a aids se vence com "uma humanização da sexualidade e novas formas de condutas".

Ditas em um continente no qual 27 milhões de pessoas estão contaminadas pelo vírus da aids, tais palavras foram duramente contestadas em vários países ocidentais, que destacaram que o preservativo é um elemento fundamental para prevenir a transmissão da doença.

Durante o segundo Sínodo sobre a África, realizado em outubro no Vaticano, os religiosos africanos reiteraram as palavras do papa e acusaram as multinacionais de "invadir" o continente para se apropriar dos recursos naturais com a cumplicidade dos dirigentes locais.

Depois da África, Bento XVI viajou para a Terra Santa. A primeira etapa foi Jordânia, onde pela segunda vez pisou uma mesquita como papa, em Amã.

Em Israel, condenou o Holocausto e pediu o combate ao antissemitismo "onde quer que esteja, já que, infelizmente, continua erguendo sua repugnante cabeça em muitas partes de mundo".

No entanto, a condenação pareceu pouco para o diretor do Memorial do Holocausto em Jerusalém, Avner Shalev, o qual disse que o papa deveria ter falado de sua vida durante a época do nazismo.

Em Belém, o pontífice deu um novo apoio às aspirações palestinas ao afirmar categoricamente que a Santa Sé "apoia" o direito dos palestinos a um "Estado soberano, seguro, em paz com seus vizinhos e com as fronteiras reconhecidas internacionalmente".

A terceira viagem internacional foi para a República Tcheca, onde defendeu as raízes cristãs da Europa e afirmou que existem tentativas de marginalizar o cristianismo na vida pública europeia.

Aos 82 anos, Bento XVI deu um susto em julho, quando quebrou seu pulso direito durante suas férias na Itália e teve que ser operado.

EFE JL/bba/mh

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