Viagem de líder sírio a Paris é vista como aproximação ao Ocidente

George Bagdadi Damasco, 12 jul (EFE).- A presença do presidente sírio, Bashar al-Assad, amanhã em Paris, por ocasião da Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM), desperta grande interesse por seu caráter de prova de fogo: a Síria optará por sua aliança com o Irã ou preferirá se aproximar do Ocidente? Os Estados Unidos e alguns países europeus sustentam que o Governo sírio apóia o terrorismo no Iraque e facilita a entrada de combatentes estrangeiros em Bagdá para unir-se à resistência.

EFE |

Israel e EUA asseguram inclusive que Damasco tem um programa nuclear secreto.

Além disso, é opinião corrente entre países ocidentais a de que a Síria se ocupa de assuntos internos do vizinho Líbano. O Governo de Damasco também é acusado de se negar a se abrir para reformas democráticas.

No entanto, para a França, que assumiu a Presidência rotativa da União Européia (UE) este mês, a eleição do novo presidente do Líbano, Michel Suleiman, em maio último, é uma mostra da boa vontade da Síria, cuja influência sobre o grupo xiita libanês Hisbolá é conhecida.

Após anos de tensas relações entre Paris e Damasco, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, quis quebrar o gelo e convidou Assad, junto com outros cerca de 40 dirigentes estrangeiros, a participar amanhã do lançamento da nova UPM.

Mas em Paris também estarão esperando Assad várias organizações opositoras sírias, que convocaram uma passeata para este domingo com o objetivo de reivindicar o fim de "detenções arbitrárias de políticos e intelectuais da oposição".

Os ativistas pedirão também a suspensão da tortura nas prisões sírias, mais respeito aos direitos humanos no país e a derrogação das Leis de Emergência, vigentes há 45 anos e acusadas de darem respaldo ao Governo na hora de promover detenções arbitrárias de opositores.

Nesse sentido, fontes ligadas à Presidência francesa reconhecem que, embora o presidente sírio não tenha sido um perfeito exemplo no que diz respeito a direitos humanos, está fazendo tímidos esforços para melhorar a situação.

Analistas sírios opinam que Damasco empreendeu ultimamente várias ações diplomáticas que ajudaram com sucesso a romper um prolongado período de isolamento global.

Entre as iniciativas citadas, está a permissão dada pelas autoridades sírias a uma equipe de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para visitar áreas consideradas por Israel e EUA como instalações nucleares.

Além disso, Assad fez uso de sua influência sobre os líderes do movimento radical palestino Hamas, exilados em Damasco, para forjar uma trégua com Israel na Faixa de Gaza.

A Síria também iniciou negociações indiretas com Israel, com mediação da Turquia, para resolver o futuro das Colinas do Golã.

Assad e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, estarão frente a frente na Cúpula da UPM graças à ordem alfabética em que os assentos foram dispostos para o evento.

Mesmo assim, Assad rejeitou a idéia de uma reunião direta com Olmert, em paralelo ao encontro da UPM, já que considera que ainda seria prematura.

Alguns observadores internacionais afirmam que desde o momento em que o regime sírio decidiu anunciar publicamente as negociações indiretas com o Estado judeu teve início um processo de distanciamento do Irã.

"A Síria abandonará o Irã tão logo seja possível", diz o analista libanês George Alam, que explica que a Síria pode sobreviver financeiramente sem o Irã.

Para Alam, o regime laico do partido Baath, governante na Síria, tem pouca afinidade ideológica com os lideres da Revolução Islâmica do Irã, o que, no entanto, não impediu a construção da aliança na guerra de Teerã contra o Iraque a partir de 1980. EFE gb-aj-ssa/fr

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