Viagem de emissário de Obama reforça postura dos EUA no O.Médio

Nuya Mushleh. Ramala, 10 jun (EFE).- O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, ressaltou hoje em Ramala, na Cisjordânia, que seu país não dará as costas à aspiração palestina a um Estado próprio e à dignidade.

EFE |

"Estamos autenticamente comprometidos com uma paz" no Oriente Médio, disse Mitchell perante a imprensa depois de se reunir com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no terceiro dia de sua viagem pela região.

O enviado americano reiterou que a solução de dois Estados, que é rejeitada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é "a única viável" para cumprir as "aspirações" tanto de israelenses como de palestinos.

Mitchell pediu ainda a ambas as partes que cumpram as "responsabilidades" dentro do Mapa de Caminho - plano de paz lançado em 2003 por EUA, União Europeia, ONU e Rússia.

Segundo ele, isso não é só uma obrigação, mas é "do interesse das duas partes e de todos aqueles que promovem a paz".

Abbas pediu a Mitchell que, como supervisor do processo de paz, aponte qual é o principal obstáculo para o reinício das negociações, segundo informou o canal "Palestina TV".

Após a reunião, que durou duas horas, um dos principais assessores de Abbas, Saeb Erekat, definiu a "ênfase" do Governo Barack Obama "na necessidade de que ambas as partes apliquem suas respectivas obrigações" no plano de paz como "uma grande prova da justiça e equanimidade do enfoque americano à paz no Oriente Médio".

"Israel tem que se comprometer com a solução de dois Estados, frear os assentamentos e cumprir os acordos do passado", disse Erekat em coletiva de imprensa, na qual acrescentou que "não são exigências dos palestinos, mas da comunidade internacional, especialmente as relativas às colônias".

Segundo Erekat, enquanto os palestinos conseguiram "progressos significativos nos campos de Governo, finanças e reforma da segurança da forma como exige o Mapa de Caminho, Israel não conseguiu cumprir nenhuma de suas obrigações, começando por um congelamento completo dos assentamentos".

É necessário, para Erekat, "frear a farsa de Netanyahu sobre assentamentos", em referência ao argumento do premiê israelense de permitir o chamado "crescimento natural" para seguir avançando na colonização em território palestino na Cisjordânia.

Obama reiterou em várias ocasiões que Israel deve paralisar o crescimento das colônias, mas Netanyahu se limitou a assegurar que a vida nos assentamentos "seguirá com normalidade" até que um acordo que estabeleça um status final seja alcançado.

Após seu encontro com Abbas, Mitchell se reuniu no Consulado Geral dos EUA em Jerusalém Oriental com o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, com quem também debateu a necessidade de relançar o diálogo de paz.

O enviado americano, que chegou na segunda-feira à região, se encontrou ontem em Jerusalém com as principais autoridades de Israel. Nas reuniões, confirmou o que chamou de laços "inquebrantáveis" de amizade entre os EUA e o Estado judeu.

Mitchell se reuniu com Netanyahu durante quatro horas, em um encontro que se desenvolveu em um ambiente "amistoso e positivo", segundo um comunicado do Governo israelense.

O enviado americano manifestou sem ambiguidade o desejo de seu Governo de que haja um "pronto reatamento e uma rápida conclusão" das negociações de paz entre as partes, interrompidas desde janeiro.

A viagem de Mitchell acontece às vésperas do anúncio de Netanyahu, provavelmente no domingo, sobre seu "plano de segurança e paz". A dúvida está se o projeto dará ouvido às pressões americanas sobre os assentamentos e a criação de um Estado palestino.

Segundo o diário "Ha'aretz", o ministro da Defesa e parceiro-chave na coalizão de Governo israelense, Ehud Barak, explicou que Netanyahu é reticente em aceitar publicamente a criação de um Estado palestino por uma questão de política interna.

Barak disse que isso representaria se comprometer com os acordos assinados por Governos, cujos partidos fazem parte agora da oposição, e afirmou que "o Governo (israelense) ainda pode surpreender".

Após concluir sua estada em Israel e na Cisjordânia, Mitchell continuará rumo a Damasco e Beirute, onde se reunirá com as autoridades sírias e libanesas também com o objetivo de reativar as negociações de paz. EFE nh/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG