Viagem de Bush reforça alianças no Oriente Médio

Enrique Rubio Sharm el-Sheikh (Egito), 17 mai (EFE) - O encontro diplomático que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manteve hoje com seus aliados no Oriente Médio reforçou suas alianças, mas não trouxe nada que indique que possam ocorrer avanços na solução dos conflitos na região.

EFE |

Faltando um dia para que se despeça definitivamente da região como presidente dos Estados Unidos, Bush quis reforçar seus vínculos, embora quase não tenha deixado a entrever que possa surgir alguma coisa nova que contribua para resolver os conflitos locais.

Apesar de ainda faltar mais de meio ano para que termine seu mandato, é provável que Bush deixe um Oriente Médio em estado complicado.

Fora os conflitos já existentes entre Israel e palestinos e no Iraque, Afeganistão e Irã, a recente explosão de violência no Líbano complicou ainda mais um mapa cheio de "pontos vermelhos".

Por isso, o presidente americano se reuniu hoje com os chefes de Estado do Egito e do Afeganistão, Hosni Mubarak e Hamid Karzai, respectivamente, e com o líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Se na sexta-feira Bush havia compartilhado com o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, seus temores sobre as ambições nucleares iranianas, o presidente americano falou hoje com Abbas e Mubarak dos últimos confrontos no Líbano entre a maioria anti-Síria e a oposição liderada pelo grupo xiita Hisbolá.

Amanhã, Bush fará seu último discurso na região na abertura do Fórum Econômico Mundial para o Oriente Médio.

A Casa Branca já anunciou que o presidente pedirá um envolvimento maior "não só de palavra" dos países árabes com os palestinos e é provável que, no discurso, ele defenda a postura de Fouad Siniora no Líbano perante o Hisbolá.

"O Hisbolá, que foi financiado pelo Irã, não pode justificar sua posição como uma defesa contra Israel quando se voltou contra seu próprio povo", disse hoje ao término de seu encontro com Abbas.

A passagem de Bush pelo Egito pretende também conciliá-lo com os países árabes, onde foi duramente criticado por não ter se referido ao conflito entre palestinos e israelenses durante sua visita ao Estado judeu.

"Estou absolutamente decidido a trabalhar com Abbas e sua equipe de negociação, assim como com os israelenses, para conseguir um Estado definido", disse Bush, que afirmou ainda que "parte o coração ver o enorme potencial dos palestinos jogado fora".

A imprensa egípcia atacou Bush, afirmando que o americano se distanciou ainda mais dos palestinos após considerar os EUA como "o amigo mais próximo de Israel" em seu discurso esta semana diante do Knesset (Parlamento israelense).

Embora a atividade diplomática de Bush na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh esteja sendo muito intensa, a ausência de líderes importantes na região foi bastante sentida.

O próprio Siniora tinha previsto se reunir na cidade com o chefe de Estado americano, mas esse encontro não deve acontecer devido ao início, na sexta-feira, das negociações sobre o Líbano no Catar.

Também é provável que não esteja presente nenhum representante importante do Iraque, que enviou seu vice-presidente xiita, Adel Abdel Mahdi, nem do Irã, da Síria e dos grupos islâmicos Hisbolá e Hamas. EFE er/rr/db

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