Por Patricia Avila MONTEVIDÉU (Reuters) - O veto presidencial a uma lei que descriminaliza o aborto gerou polêmica nesta sexta-feira no Uruguai, onde grupos a favor da iniciativa convocaram manifestações e parlamentares governistas criticaram a decisão do presidente.

O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, vetou uma lei que descriminalizava o aborto nas 12 primeiras semanas de gestação por considerar que a prática atenta contra a vida e a liberdade de consciência, disse na sexta-feira a presidência em seu site na Internet.

Vázquez, um oncologista, disse no veto enviado a Assembléia Geral que é mais adequado ajudar a mulher que considera a realização do procedimento em vez de facilitar a operação.

"De acordo com a idiossincrasia do nosso povo, é mais adequado buscar uma solução baseada na solidariedade, que permita proporcionar à mulher e ao seu filho, outorgando-lhe a liberdade de poder optar por outras vias, salvando, desta forma, os dois", disse Vázquez no veto, assinado também pela ministra da Saúde, Maria Julia Muñoz.

Grupos a favor da descriminalização do aborto convocaram um ato para a noite de sexta-feira contra o veto.

"Diante dessa situação, a passividade e o silêncio não são opções admissíveis. A vontade do presidente não representa a vontade deste país", disse a organização Mulheres pela Democracia, Igualdade e Cidadania.

"Com este veto ele deixou de ser o presidente de todos os uruguaios para ser o presidente de alguns, de uma minoria. Foi contra a maioria que votou com a Frente Ampla (partido governante de esquerda) e seus parlamentares", disse Martin, estudante de 26 anos.

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