Veterano rouba cena de Phelps em revezamento dos EUA

O nadador americano Michael Phelps tem tudo para ser o grande nome da Olimpíada de Pequim, mas vai ficar devendo um favor ao compatriota Jason Lezak - principal responsável pela medalha de ouro dos Estados Unidos no revezamento 4x100m livre. Aos 32 anos e em sua terceira Olimpíada, Lezak deixou todos os presentes no Centro Aquático Nacional de Pequim (o Cubo DÁgua) boquiabertos ao ultrapassar o francês Alain Bernard nos últimos 50 metros da prova e garantiu a vitória para a equipe americana.

BBC Brasil |

"Foi inacreditável, Jason terminou a prova melhor do que poderíamos ter imaginado", reconheceu Phelps. "Jason foi incrível nos últimos 50 metros. No final, vocês podiam ver que eu estava muito empolgado, foi realmente muito emocionante."
A comemoração não foi à toa: o maior desafio de Phelps em Pequim é acumular medalhas olímpicas. O americano já tem duas de ouro na China e dez em toda a carreira. Em Atenas, venceu seis e ficou com o bronze por duas vezes. Uma das provas em que ficou em terceiro em 2004 foi o revezamento 4x100m livre.

Michael Phelps ainda vai disputar outras seis provas na China e pode superar o recorde de vitórias em uma só Olimpíada do também nadador americano Mark Spitz, que conquistou o ouro sete vezes em Munique-1972.

Além disso, se conseguir atingir a marca de dez medalhas de ouro, Phelps vai se tornar o maior vencedor da história das Olimpíadas e superar a façanha de outros quatro atletas que acumularam nove ouros olímpicos na carreira - Spitz, o velocista americano Carl Lewis, o fundista finlandês Paavo Nurmi e a ginasta ucraniana Larissa Latynina.

EUA x França
Na vitória do revezamento 4x100m, Phelps foi o primeiro da equipe americana a entrar na piscina, mas terminou os seus primeiros 100 metros apenas em segundo lugar - atrás do australiano Eamon Sullivan, que quebrou o recorde mundial ao nadar a distância em 47,27 segundos. A Austrália acabou com a medalha de bronze na prova.

No segundo trecho, o americano Garrett Gale-Weber foi o mais rápido e colocou a equipe dos Estados Unidos na frente. Na terceira parte, no entanto, o francês Frederick Bousquet ultrapassou o americano Cullen Jones e colocou seu país em primeiro, com 59 centésimos de segundo de vantagem.

Foi então que Lezak entrou em cena e roubou o show no confronto com Alain Bernard. Dias antes, o francês teria provocado os adversários e dito que a equipe de seu país iria "destruir os americanos" na prova.

"Nós deixamos nossa natação falar por nós", reagiu Phelps, ao negar que a eufórica comemoração dos americanos tenha sido uma vingança. "Nós não reagimos. Isso apenas nos motivou."
A equipe americana terminou a prova com apenas oito centésimos de vantagem e estabeleceu novo recorde mundial com o tempo de 3:08.24.

"Nos primeiros 50 metros, eu estava respirando pelo meu lado direito e vi um pouquinho, sabia que era ele (Bernard)", contou o herói da prova Lezak. "Sabia que tinha que nadar loucamente. Eu tinha mais adrenalina do que em qualquer outro momento da minha vida."
Recorde
Lezak nadou os últimos 100 metros em 46,06 segundos, a melhor parcial da história no revezamento. A marca, no entanto, não vale como recorde porque o nadador não partiu do bloco de partida - por isso, apenas o primeiro nadador do revezamento pode estabelecer um recorde para os 100 metros.

"Eu não diria que foi Alain Bernard quem perdeu", afirmou o técnico da equipe francesa Claude Fauquet. "Foram os americanos que ganharam."
O tempo registrado pela equipe francesa (3min08s e 32 centésimos) também ficou abaixo do recorde mundial anterior, que era de 3min12s e 23 centésimos.

"Bater o recorde mundial em quase quatro segundos e não conseguir a medalha de ouro é realmente impressionante", lamentou Fauquet.

Lezak já havia conquistado duas medalhas de ouro olímpicas em Atenas e Sydney, ambas no revezamento 4x100m medley. Mas, no 4x100 livre, foi prata em 2000 e bronze em 2004.

Agora, em Pequim, o experiente americano ainda vai disputar novamente a prova do 4x100m medley e a dos 100m livres, quando deve reencontrar o francês Alain Bernard.

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