Vesúvio não está livre de uma erupção como a de Pompéia

O Vesúvio, que não entra em erupção desde 1944, pode voltar a explodir da mesma forma como ocorreu na destruição da cidade de Pompéia no ano 79 d.C, ameaçando agora 700.000 pessoas, afirmam um geólogo francês e outro italiano na revista Nature publicada nesta quarta-feira.

AFP |

"Para saber se uma hipótese como esta, tão catastrófica, é possível, é muito importante que o tipo de magma armazenado a 8-9 km de profundidade seja convenientemente identificado", disseram os cientistas que analisaram o aumento do magma do Vesúvio no decorrer dos anos.

"Se este magma for parecido com o produzido pela erupção que destruiu Pompéia, pode-se esperar no futuro uma erupção extremadamente explosiva, ou seja, perigosa", explicou à AFP Bruno Scaillet, cientista no Instituto de Ciências da Terra, em Orleans, e um dos três autores do estudo.

"Em contrapartida, se o magma tem uma composição mais basáltica, como na erupção de 1944, a erupção seria mais do tipo efusivo com rios de lava, e isto geraria destroços muito menores", acrescentou o pesquisador.

O Vesúvio é um vulcão particular, que ao longo de sua história teve erupções de tipo explosivo tão devastadoras como a de Krakatoa, na Indonésia, em 1883, ou de Pinatubo (Filipinas) em 1991, e também erupções efusivas de rios de magma, freqüentes hoje principalmente no Havaí ou na ilha de La Reunion.

Desde cerca de 20.000 anos de nossa era até a grande erupção do vulcão em Pompéia, o Vesúvio liberou um magma mais viscoso, produziu erupções explosivas com fumaça tóxicas. De 1631 a 1944, foram registradas centenas de erupções efusivas associadas a rios de lava, como ocorre atualmente com o Stromboli, na Sicília.

"Mas não porque esta evolução leva 2.000 anos podemos eliminar a possibilidade de uma nova composição mais ácida, que possa desencadear erupções explosivas", disse Scaillet. Além disso, "não porque isto tenha parado em 1944 podemos dizer que terminou", acrescentou.

A falta de atividade há 64 anos pode ser explicada porque a bolsa de magma parou de encher, mas também pode indicar que a chaminé do vulcão está obstruída.

"A pressão pode subir e acabar gerando uma explosão? Esta hipótese não pode ser descartada", disse Scaillet.

boc/jmr/lm/fp

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