Verificar sintomas da aids seria tão eficiente quanto teste de laboratório

(embargada até 22h00 de Brasília) Genebra, 25 abr (EFE).- Controlar o tratamento de portadores do vírus causador da aids através dos sintomas clínicos é quase tão eficiente quanto utilizar as mais avançadas técnicas de laboratório.

EFE |

Essa é a principal conclusão a qual um grupo de especialistas chegou ao realizar um estudo no Reino Unido para determinar a eficácia dos tratamentos baseados simplesmente nos sintomas clínicos em portadores do vírus causador da aids.

"Os resultados deste estudo deveriam tranqüilizar os médicos na África e na Ásia que tratam literalmente de milhões de pessoas sem teste de laboratório, porque não estão arriscando seus pacientes", disse Charles Gilks, co-autor e coordenador do Tratamento e Prevenção de Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"De fato, o resultado de seu tratamento é quase tão bom quanto o dos pacientes nos Estados Unidos e na Europa, onde os tratamentos através de teste de laboratório são a regra", acrescentou Gilks, citado em comunicado distribuído pela OMS.

O objetivo do estudo era determinar as conseqüências a médio e a longo prazo dos diferentes sistemas para analisar os tratamentos anti-retrovirais: o que usa os sinais e sintomas clínicos, ou o que se baseia em métodos mais sofisticados e mais caros, mas muito mais inacessíveis, como os testes imunológicos e virais.

Segundo os autores do estudo, os níveis de sobrevivência das pessoas tratadas em função de seus sintomas foram quase idênticos aos daquelas que foram controladas com exames de laboratório.

A média de sobrevivência durante cinco anos foi de 83% para os indivíduos controlados por laboratório e 82% para os que o foram através da análise de seus sintomas.

Por outro lado, o estudo analisou se os controles físicos tinham sido iguais aos de soldados para decidir mudar da primeira linha de tratamentos recomendados pela OMS os remédios de segunda linha, muito mais caros.

Novamente, o diagnóstico feito com base nas análises clínicas foi quase tão eficiente quanto o realizado com base em teste de laboratório.

O estudo usou modelos matemáticos que foram projetados para identificar problemas de emergência e inconvenientes que podem aparecer após uso prolongado dos medicamentos anti-retrovirais.

Os autores consideram que "deve-se continuar trabalhando", já que "o estudo é baseado em projeções matemáticas e não em pacientes do mundo real".

O problema é que ainda há pouca informação real disponível, pois esse tipo de tratamento é aplicado há muito pouco tempo nos países em desenvolvimento, embora, no entanto, os autores afirmem que os dados disponíveis confirmam os resultados do estudo.

A OMS disse que está realizando outros estudos e que haverá mais informação disponível em breve. EFE mh/bm/db

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