Vergonha de falar em saneamento atravanca avanços, dizem ONGs

Por Alexandra Hudson ISTAMBUL (Reuters) - A vergonha de discutir francamente as necessidades de saneamento básico está prejudicando o desenvolvimento e contribuindo para que um em cada cinco seres humanos viva sem meios dignos de se aliviar, disse um grupo de ativistas de ONGs na segunda-feira.

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Falando no primeiro dia do Fórum Mundial da Água, em Istambul, os ativistas alertaram para os riscos sanitários da defecação a céu aberto, que continua sendo comum em muitas áreas, e salientaram que cada dólar gasto na abertura de latrinas ou na construção de esgotos acaba poupando 9 dólares em gastos hospitalares e em prejuízos resultantes do absenteísmo dos doentes.

"Coisas que não têm nome, coisas das quais não falamos não existem para os políticos", disse a política alemã Uschi Eid.

"Mulheres e meninas têm de levantar antes do amanhecer e defecar no escuro nos campos ou nos trilhos de trem, colocando-se sob o risco de ataques, enquanto em áreas densamente povoadas as pessoas defecam em sacos plásticos e então os atiram nos rios", acrescentou.

Cerca de 1 bilhão de pessoas não têm acesso a água potável, e cerca de 2,5 bilhões vivem sem saneamento básico.

Segundo dados da ONU, em 2002 mais de 3,5 milhões de mortes puderam ser atribuídas a problemas com a água, o saneamento e a higiene. Cerca de 94 por cento dos casos de diarreia, doença que mata mais de 1,4 milhão de crianças por ano, são evitáveis.

Em 2002, foi acrescida às chamadas Metas do Milênio a meta de reduzir pela metade até 2015 o número de pessoas sem saneamento. A ausência dessa entre as metas originais, lançadas no ano 2000, mostra como a questão costuma ficar em segundo plano no debate público.

Os ativistas defenderam banheiros mais reservados e dignos, e salientaram como as mulheres, sendo as principais responsáveis por levar água para casa nos países em desenvolvimento, e também pela higiene e saúde das famílias, devem estar plenamente envolvidas na questão.

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