Venezuelanos votam em pleito que pode mudar mapa político do país

Caracas, 23 nov (EFE).- Os venezuelanos compareceram maciçamente às urnas hoje para renovar 603 cargos municipais e regionais, em um ambiente de calma e chamadas a acatar o resultado que manterá ou diminuirá o atual predomínio governista no mapa político do país.

EFE |

Na seção onde exerceu seu direito ao voto, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que independentemente do resultado do pleito, a Venezuela "seguirá tendo um alto grau de governabilidade", e reiterou seu chamado à população para que espere o veredicto das urnas com "calma e paciência".

O governante, que chefiou pessoalmente a campanha eleitoral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), repetiu nas últimas semanas que está em jogo "o futuro da 'revolução bolivariana'" neste pleito, e acusou que a oposição "gritará fraude" nos locais onde perder.

"No domingo, a se organizar e, após votar, todo mundo pra rua!", gritou nos últimos dias de campanha, apesar de hoje não reiterar seus comentários de então, quando considerou que diante da perspectiva de uma "arrasadora derrota", a oposição buscaria "reproduzir o modelo aplicado na Nicarágua".

Em suas declarações deste domingo, Chávez destacou que o Governo "revolucionário" que chefia desde 1999 "sempre" reconheceu o "mandato popular", inclusive quando lhe rendeu "grandes derrotas", como ocorreu com sua proposta de reformar a Constituição, rejeitada em um referendo nacional há um ano.

O sistema automático de votação utilizado nesse referendo "é o mesmo; um dos mais transparentes e confiáveis do mundo", o que torna "impossível fazer fraude", sustentou.

Chávez, da mesma forma que os candidatos do Governo e outros de oposição, convidou aos eleitores a ir às urnas para cumprir o que chamou seu "dever".

Dirigentes da oposição e que aspiram a cargos, como Gerardo Blyde e Antonio Ledezma, manifestaram por sua vez, em declarações aos jornalistas após votar, que não receberam informações de incidentes nem de outros problemas importantes.

Ledezma, aspirante por "a unidade de oposição" para a Prefeitura Maior de Caracas, disse sentir-se "satisfeito" pelo desenvolvimento do processo eleitoral, e só assinalou uns casos nos quais se impediu a presença de duas testemunhas para um candidato opositor.

Blyde destacou, por sua parte, que 92% das mesas do município de Baruta, no estado de Caracas, onde concorre a prefeito funcionava "sem nenhum problema" de manhã.

"Quem estiver em sua casa, saia para votar; há tranqüilidade; estão as testemunhas, os membros de mesa" que garantem a lisura do processo, expressou.

Cerca de 17 milhões de venezuelanos foram às urnas para escolher a 22 dos 23 governadores do país, mais de 300 prefeitos e mais de 200 legisladores locais, em eleições regionais que tanto Governo quanto oposição consideram que podem determinar o rumo do país.

Entre os pediram respeito ao resultado das urnas, esteve o cardeal e arcebispo de Caracas, Jorge Urosa, que aplaudiu a "atitude cívica e democrática" dos eleitores e das autoridades, e assinalou o caminho em caso de disputas, segundo ele.

"Se, ao final das eleições de hoje, houver alguma divergência, que se resolva de acordo aos mecanismos constitucionais e democráticos", porque o anseio do país é de que "não haja nenhum conflito, nenhum confronto nem nada que lamentar".

"Quem ganhar e for eleito deve governar sem nenhum tipo de exclusão nem intolerância, governar para todos e buscar o bem comum com esse espírito de fraternidade e pluralismo democrático consagrado na Constituição", acrescentou.

A votação terminaria às 16h locais (18h30 de Brasília), embora fossem permanecer abertas as seções onde haja eleitores à espera para votar, e os resultados serão divulgados em cada jurisdição quando forem "irreversíveis".

Nesta 14ª eleição desde que Chávez ganhou pela primeira vez a Presidência, em 1998, tanto autoridades, analistas e ativistas favoráveis e contrárias ao Governo prevêem uma queda da abstenção, que ficou em torno de 50% nas eleições municipais e regionais anteriores, em 2004.

No pleito de há quatro anos, a abstenção foi de 54,6% e o Governo ganhou 20 governos estaduais, embora cinco tenham rompido com Chávez posteriormente, 278 Prefeituras e a maioria dos cargos legislativos municipais e regionais.

Nas eleições deste domingo, a atenção é focada em regiões claves-chave, por seu valor simbólico ou população numerosa, que podem determinar a vitória de um ou outro lado, como os estados de Zulia, Miranda, Guárico e Carabobo, e as Prefeituras de Caracas e Maracaibo, no oeste do país. EFE ar/jp

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