Os venezuelanos madrugaram neste domingo para participar das eleições regionais que estão sendo consideradas como um termômetro que medirá os resultados da revolução bolivariana e a liderança do presidente Hugo Chávez.

Às 3h30 (6h de Brasília) os moradores de Caracas e de outros estados do país despertaram ao som de uma marcha militar e fogos de artifício. Nos centros de votação da capital as filas começaram a ser formadas antes do amanhecer.

A jornada eleitoral sofreu atraso em alguns centros de votação. De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, até as 8h da manhã (10h30 em Brasília) 20% das urnas ainda não haviam sido abertas.


Eleitores votam em pleito regional na Venezuela / AFP

Em Altamira, leste da cidade e reduto da oposição, enormes filas cercavam os centros eleitorais. "Espero mudar este governo, não quero socialismo. Precisamos acabar com esse caos, com tanta corrupção", afirmou à BBC Brasil a aposentada Argenis Aponte.

Para esta aposentada, assim como para outros eleitores deste centro de votação, as eleições regionais deste domingo devem afetar a gestão do presidente Chávez.

De acordo com pesquisas, o governo deve ganhar a maioria dos Estados, mas dificilmente conseguirá repetir os resultados das eleições de 2004, quando conquistou 21 dos 23 Estados em disputa, além da capital Caracas.

No bairro periférico 23 de Enero, um dos bastiões chavistas, o taxista Rafael Landaeta, se diz descontente com a atual administração da cidade e pela primeira nesses 10 anos de governo Chávez, votará pela oposição.

"Os prefeitos chavistas simplesmente abandonaram esse bairro e se dedicaram à corrupção. Precisamos de mão dura para combater a delinqüência", afirmou Landeta à BBC Brasil.

De acordo com o instituto de pesquisa Hinterlaces, a insegurança é a principal preocupação de 79% dos venezuelanos.

O taxista disse que continua apoiando ao presidente Chávez, mas pretende castigar o governo local. "Apoio a Chávez por ser o líder desse processo de transformação. O país está melhor e não podemos retroceder, por isso precisamos de mudanças, não podemos ser coniventes com a ineficiência", acrescentou.

Durante a campanha Chávez disse que os chavistas que votassem contra o governo estariam "traindo ao povo, a Chávez e a revolução".

O professor universitário Hector Mérida considera que a manutenção de representantes governistas à frente das prefeituras e governos estaduais é "fundamental para fazer avançar a revolução".

"Precisamos renovar esses cargos porque há muito que fazer, mas o importante hoje é dar continuidade aos ideais da revolução", afirmou Mérida à BBC Brasil, enquanto aguardava na fila, no centro da cidade, sua vez de votar.

Plebiscito

Temendo um avanço da oposição nos Estados em que seus simpatizantes estão descontentes com o governo, Chávez converteu o pleito em uma espécie de plebiscito, ao afirmar que o "futuro da revolução" e seu próprio futuro está em jogo nestas eleições.

Até a véspera do pleito, os opositores mantinham vantagem nos Estados de Zulia, Nova Esparta - já governados pela oposição - e Carabobo. Nos Estados de Miranda (onde fica Caracas), Táchira, Barinas e Guárico, a disputa deve ser acirrada.

Um dos principais desafios do governo será recuperar os votos dos mais de 3 milhões de chavistas que não votaram no referendo da reforma constitucional no ano passado. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) deve divulgar os resultados no final da noite deste domingo.

Os meios de comunicação estão proibidos de adiantar resultados. Chávez ameaçou "retirar do ar e cancelar a concessão" daqueles canais que desrespeitarem essa regra.

As Forças Armadas anunciaram que 140 mil efetivos já foram mobilizados e acompanharão a instalação das urnas e o andamento da jornada eleitoral. A polícia permanecerá aquartelada. As eleições serão acompanhadas por 134 observadores internacionais, de acordo com o CNE.

Quase 17 milhões de venezuelanos elegerão um total de 23 governadores, 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais. O voto na Venezuela é facultativo.

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