Venezuelanos protestam contra lei de educação de Chávez

Milhares de pessoas participaram nesta quinta-feira de duas manifestações paralelas nas ruas de Caracas, contra - e a favor - do projeto de lei que está sendo debatido pela Assembleia Nacional venezuelana e que deve ser aprovado nas próximas horas.

AFP |

As mobilizações se cruzaram em seus respectivos percursos em direção ao Parlamento, gerando tensões, troca de insultos e intensa repressão policial.

Centenas de estudantes e professores foram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo pela polícia quando tentavam se aproximar do Parlamento para protestar contra o projeto de lei.

Repórteres de uma rede de televisão privada também denunciaram ter sido agredidos por partidários do presidente Hugo Chávez.

Ao menos 12 jornalistas venezuelanos, que protestavam contra o projeto de lei da Educação, foram agredidos por militantes chavistas.

Um grupo de 30 funcionários da Rede Capriles, que reúne vários jornais, foi atacado por "simpatizantes do governo" do presidente Hugo Chávez, informaram jornalistas à AFP.

Os jornalistas da Capriles protestavam "de forma pacífica, com cartazes", e o violento ataque deixou oito feridos leves, que foram levados a centros de saúde, destacaram as fontes.

Eleazar Díaz Rangel, diretor do jornal Últimas Notícias, que integra a Rede Capriles, condenou "este ato selvagem" e pediu "o fim de condutas desta natureza", segundo a Unión Radio.

Os jornalistas protestavam contra o artigo 50 do projeto de educação, que prevê sanções aos meios de comunicação "que produzam terror e incitem ao ódio".

"Chegaram gritando, dizendo palavrões contra os funcionários (...). Tinham pedras, objetos contundentes e até bombas de gás lacrimogêneo", declarou por sua vez o delegado da Polícia Metropolitana, Carlos Meza.

Ao mesmo tempo, um grupo de defensores do projeto de lei chegou às portas do Parlamento para pedir sua aprovação imediata.

"Rejeitamos as mentiras sobre a lei e pedimos à Assembleia Nacional (...) que aperte o acelerador para aprovar a lei", declarou o presidente da Federação Bolivariana de Estudantes, Carlos Sierra.

Segundo os detratores da medida, no entanto, o projeto de lei dá papel preponderante ao ministério da Educação, e afirma que prevê uma doutrinação dos estudantes pelos ideais do atual governo, que defende o "socialismo do século XXI".

Para o líder da oposição, Leopoldo López, o projeto "não fala da qualidade da educação", e tampouco enfrenta os problemas de evasão escolar e infraestrutura educacional.

Mas o ministro da Educação, Héctor Navarro, considera que a lei é "necessária" para garantir a "igualdade de oportunidades" em um país como a Venezuela.

"Educar, e não domesticar", dizia um dos cartazes carregados pelos opositores da lei.

rsr-bl/LR/ap

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