Venezuelanos jamais foram amigos das Farc, diz ex-ministra colombiana

Bogotá, 11 jul (EFE).- A senadora e ex-ministra de Defesa da Colômbia Marta Lucía Ramírez declarou hoje que o povo venezuelano jamais foi amigo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que o delito de seqüestro aumentou em 48% na Venezuela em 2007.

EFE |

"É só observar as bases de dados das pessoas seqüestradas na Venezuela para notar que a maioria foi detida em estados vizinhos à Colômbia", assinalou Ramírez.

A ex-funcionária admitiu estar "preocupada" com essa situação e assegurou que as Farc se sentem encurraladas na Colômbia, mas acreditam que são bem-vindas na Venezuela.

Em declarações divulgadas hoje por seu escritório no Senado colombiano, Ramírez afirmou que, "infelizmente, os habitantes das regiões fronteiriças já estão sofrendo os efeitos".

As revelações da senadora foram feitas antes da reunião dos presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e colombiano, Álvaro Uribe, na Venezuela, que marca o primeiro encontro entre os chefes de Estado após uma das crises diplomáticas mais graves na história dos dois países.

As declarações de Ramírez também foram feitas depois da denúncia de criadores de gado venezuelanos sobre a presença de acampamentos das Farc na zona de fronteira entre o país e a Colômbia.

Ramírez lembrou que, quando foi ministra da Defesa, insistiu com o Governo venezuelano para que buscasse uma forma de conter a presença da guerrilha, de paramilitares e de narcotraficantes na fronteira.

Ela assinalou que os dois países poderiam ter assinado acordos de cooperação como os que realizaram com o Brasil, Peru e Panamá.

No entanto, acrescentou: "Infelizmente nem o Governo da Venezuela nem o do Equador aceitaram nossa proposta".

Ao insistir no aumento do seqüestro em 48%, Ramírez indicou que "infelizmente o número crescente de seqüestros em Machiques del Perijá mostra hoje ao povo irmão da Venezuela que a atitude tolerante custa caro, em termos de segurança, aos cidadãos".

A ex-ministra disse que o apelo às Farc para uma negociação não responde a interesses altruístas, mas a razões de política doméstica da Venezuela.

"Se a popularidade de Hugo Chávez hoje estivesse alta, ou se as eleições de 23 de novembro não estivessem se aproximando, a mensagem às Farc pedindo-lhes para devolver os seqüestrados não seria a mesma", advertiu a senadora. EFE rrm/ab/db

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