Por Enrique Andrés Pretel e Ana Isabel Martínez CARACAS (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, conseguiu no domingo aprovar em referendo uma emenda constitucional que suprime o limite à sua reeleição, um passo-chave rumo a seu sonho de governar por ao menos outra década e, assim, converter a Venezuela em um Estado socialista e anti-imperialista.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) informou que o "sim" à proposta, que permite a postulação sem limites de todos os cargos de eleição popular, obteve 54,4 por cento dos votos, contra 45,6 por cento do "Não".

"Este soldado já é pré-candidato à presidência da República para 2013 e 2019", disse o mandatário vestindo o característico vermelho da "revolução" e acompanhado por suas duas filhas e alguns de seus netos, falando da "sacada do povo", no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

"Quero ratificar meu compromisso com o socialismo venezuelano e quero convidá-los todos e todas a redobrar a marcha na construção do verdadeiro socialismo", disse o presidente, aclamado por seus seguidores em meio a fogos de artifício.

Apesar do amplo triunfo sugerir um amplo apoio a Chávez e a seu projeto socialista, o presidente já sinalizou que o panorama econômico desfavorável obrigará a uma etapa de consolidação, em vez da aceleração imprimida ao processo depois de sua contundente reeleição em 2006.

"Estaremos em condições muito melhores a partir de 2010 para continuar abrindo novos horizontes", disse o líder esquerdista, de 54 anos.

Analistas dizem que o triunfo dá a Chávez alguns meses de popularidade muito alta que ele poderia aproveitar para tomar medidas impopulares que o ajudem a atravessar a crise que se avizinha pela queda dos recursos advindos do petróleo e da inflação mais alta da América Latina.

A fragmentada oposição reconheceu a derrota e reiterou suas denúncias sobre abuso de poder do oficialismo durante a campanha, na qual insistiu que a proposta perpetuará o governante na presidência, atentando contra o princípio da alternância democrática.

"Dizemos ao país: somos democratas, reconhecemos os resultados ... e convocamos o país a seguir lutando", disse Omar Barbosa, presidente do partido Un Nuevo Tiempo, ressaltando que mais de 5 milhões de eleitores decidiram votar pelo "não" à reeleição.

Chávez recupera-se, com isso, do duro golpe sofrido em 2007, quando os venezuelanos rechaçaram nas urnas uma ampla reforma da Constituição que contemplava sua "reeleição contínua".

Ante uma multidão de chavistas que tomou as ruas próximas a Miraflores, Chávez transmitiu aos cumprimentos de seu amigo e aliado cubano Fidel Castro ao povo venezuelano por uma vitória "que por sua magnitude é impossível medi-la".

Convencido de que o socialismo é o caminho para abater a pobreza e a insegurança que castigam o rico membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chávez uniu-se às vitórias de seus aliados na Bolívia e no Equador, que recentemente conseguiram alterar a constituição para aumentar os poderes do Executivo.

O popular presidente, visto por seus partidários como um "Messias" dos pobres, já havia dito que precisa governar por outros dez anos para consolidar seu projeto socialista, com o qual privilegia a economia estatal, social e coletiva em detrimento do setor privado.

Analistas acreditam que o claro triunfo de Chávez lhe devolve o status de invunerabilidade eleitoral e reforçará seu discurso anti-imperialista com o qual costuma criticar as políticas capitalistas de Washington.

Quase 70 por cento dos 17 milhões de venezuelanos convocados às urnas compareceram ao sufrágio sob um forte esquema de segurança em uma jornada que transcorreu sem incidentes relevantes, depois de uma breve e intensa campanha.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.