Esther Borrell. Caracas, 15 fev (EFE).- Os venezuelanos deram ao presidente Hugo Chávez a possibilidade de concorrer a um terceiro mandato em 2012, em um referendo cujo resultado ele qualificou de grande vitória do povo e da revolução.

"Foi uma grande vitória do povo, uma grande vitória da revolução", proclamou Chávez ao se dirigir a seus seguidores da sacada do Palácio de Miraflores após a vitória do "sim" nas urnas.

"Abrimos as portas do futuro", ressaltou Chávez, diante da multidão que se reuniu na noite deste domingo nos arredores da sede presidencial venezuelana e explodiu em gritos de júbilo ao serem conhecidos os resultados da consulta popular que deu 54,36% dos votos ao "sim".

"Os senhores vocês escreveram meu destino", disse também o presidente, que, acompanhado de suas filhas, netos e ministros, jurou que "a partir deste instante ia se consagrar integralmente ao pleno serviço do povo venezuelano".

Chávez, que aos 54 anos acaba de completar uma década no poder, já se proclamou pré-candidato pelo seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) para as eleições presidenciais de 2012.

"Preparemo-nos pois: começa o terceiro ciclo histórico da 'revolução', de 2009 a 2019. Estou pronto! Em 2012 haverá eleições presidenciais para o período 2013-2019 e, a menos que Deus disponha outra coisa, que o povo disponha outra coisa, este soldado já é pré-candidato à Presidência", afirmou.

O presidente venezuelano, que ao impulsionar a emenda constitucional tinha pedido sua aprovação para assegurar sua "revolução socialista", fez um apelo aos cidadãos para "redobrar a marcha na construção do verdadeiro socialismo, da revolução da democracia socialista, que é o caminho da dignidade".

Minutos antes do discurso de Chávez, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, anunciou o primeiro Diário Oficial, apurados 94,2% dos votos, que dava a vitória do "sim" com uma margem de 8,73 pontos percentuais.

Lucena disse, em uma declaração na sede do órgão eleitoral, que a opção do "sim" obteve 54,36% dos votos, e o "não" 45,63%, com uma participação de 67,05% do eleitorado.

Com a proclamação dos resultados, o CNE colocou fim a uma tensa espera, mais de três horas depois do fechamento dos colégios eleitorais, na qual se dispararam especulações e rumores após o fim de um dia que transcorreu em um clima de normalidade.

A publicação oficial do veredicto das urnas semeou a decepção entre aqueles que tinham se reunido na sede do "Bloco do Não", com a esperança de que vencesse sua rejeição à proposta do presidente que, segundo seus adversários, impulsionou a emenda para "se perpetuar" no poder.

Após o discurso de Chávez, e umas duas horas após serem conhecidos os resultados, o presidente do partido opositor Um Novo Tempo, Omar Barboza, reconheceu que a opção do "sim" havia tido mais votos.

"Temos que reconhecê-lo", disse Barboza, denunciando no entanto o "vantagismo" do Governo no processo eleitoral e afirmando que não se tratou de uma luta contra uma emenda, mas de uma "luta contra o Estado", ao mesmo tempo em que encorajava a seguir com seu compromisso por uma mudança no país.

Em outro discurso na sede opositora, o líder estudantil David Smolansky admitiu o triunfo eleitoral da opção promovida por Chávez no referendo.

"Aceitamos os resultados (...), mas devemos denunciar o vantagismo e o abuso de poder do Governo, além da criminalização do movimento estudantil", explicou Smolansky na primeira declaração de setores opositores, após serem conhecidos os resultados.

O líder estudantil destacou que o movimento estudantil se consolida como uma verdadeira plataforma e apostou pela paz, pela reconciliação nacional e pelos canais de debate.

Outros dirigentes estudantis opositores não se pronunciaram por enquanto e disseram que esperariam a segunda-feira para fazer um balanço do pleito.

Em seu longo discurso desta noite, Chávez teve palavras de reconhecimento por quem optou pelo "não" a sua emenda e expressou a esperança de que todos reconheçam a vitória do povo. EFE eb/ma

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