Venezuela vive 2º dia de protestos após suspensão de rede de TV

Caracas, 26 jan (EFE).- A polêmica gerada pela suspensão das operações da emissora privada Radio Caracas Televisión Internacional (RCTVI) continuou hoje, na Venezuela, com manifestações a favor e contra a medida, as quais, após a morte de dois jovens na segunda-feira, deixaram pelo menos oito feridos em uma cidade do leste do país.

EFE |

Em Mérida, no oeste da Venezuela, um menor de 15 anos e um estudante de 28 morreram a tiros durante protestos provocados pela retirada do ar da "RCTVI", acostumada a fazer críticas pesadas ao Governo do presidente Hugo Chávez.

Nesses incidentes, também ficaram feridos 22 policiais, disse nesta terça o governador da província, Marcos Díaz.

O político governista atribuiu a morte dos dois jovens a um suposto "plano da oposição" para desestabilizar o país e "recriar" as circunstâncias que antecederam o golpe de Estado que, em abril de 2002, derrubou Chávez por algumas dezenas de horas.

Hoje, as manifestações contra a suspensão das operações da "RCTVI" aconteceram na Universidade Santa Maria, na cidade de Barcelona (leste). Segundo a imprensa local, os protestos terminaram com sete estudantes e um policial feridos.

Já em Caracas, grupos de estudantes opositores se reuniram em frente à sede da TV estatal para protestar contra o "discurso violento" e excludente da emissora.

Durante a manifestação, cinco estudantes adentraram as instalações da "Venezolana de Televisión " ("VTV") e se reuniram com seus diretores, em clima de cordialidade e respeito, declarou o líder da Universidade Central da Venezuela (UCV), Roderick Navarro.

"Esperamos que esta atitude que a 'VTV' teve, de receber e ouvir as reivindicações de setores da oposição seja a mesma em todos os órgãos do Estado", disse, por sua vez, Darío Ramírez, líder estudantil da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB).

O ministro de Obras Públicas e diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), Diosdado Cabello, foi outro que, nesta terça-feira, disse que os protestos estudantis são parte de um plano para desestabilizar o país e "tirar Chávez" do poder.

"Estamos aplicando a lei", acrescentou Cabello aos parlamentares da Assembleia Nacional, dominada pelo Governo e diante da qual o ministro defendeu a suspensão "temporária" da programação da "RCTVI" e dos canais "American Network", "America TV", "Momentum", "Ritmo São" e "TV Chile".

A retirada dessas emissoras do ar, segundo declarações feitas por Chávez em um ato oficial, atende a uma determinação da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), que, em dezembro, pediu uma série de documentos às redes de TV que transmitem por sistemas privados.

O objetivo da medida era determinar se esses veículos eram nacionais - com 70% ou mais da produção feita no país e obrigados por lei a transmitir discursos do presidente - ou internacionais.

Aquelas emissoras que não apresentaram os documentos exigidos, de acordo com o Governo, foram automaticamente consideradas nacionais pela Conatel, entre elas a "RCTVI", que, apesar da mudança na classificação, continuou sem transmitir os discursos de Chávez.

No entanto, o assessor jurídico da emissora disse que a programação da rede "é 71% estrangeira e 29% nacional", por isso deveria ser considerada uma "produtora internacional", de acordo com a edição de hoje do jornal "El Universal".

Quintana também disse à publicação que a classificação da "RCTVI" como produtora nacional afetaria de forma vital a sobrevivência do canal, já que a lei vigente impede "inserções publicitárias" durante a transmissão dos programas.

"A única opção" viável para a "RCTVI" "é o respeito à Constituição e que nos permitam atuar como canal internacional, que é o que somos", acrescentou Quintana. EFE gf/sc

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