Venezuela toma controle de fábrica da americana Cargill

Autoridades venezuelanas acompanhadas do Exército entraram nesta quinta-feira na fábrica de arroz da multinacional norte-americana Cargill na Venezuela e deverão permanecer ali nos próximos 90 dias, enquanto se negocia o processo de expropriação da fábrica. A fábrica, localizada no Estado agrícola de Portuguesa (centro-oeste do país) é acusada pelo governo de desrespeitar a legislação do país.

BBC Brasil |

A medida foi ordenada na noite da quarta-feira pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

De acordo com Luis Parada, representante no governo na expropriação da empresa, a partir de agora o Executivo assume o controle operativo e administrativo da fábrica. "A ideia é garantir primeiro a estabilidade dos trabalhadores e da produção de arroz", afirmou.

A direção da Cargill na Venezuela "por enquanto, não comentará a decisão do governo", afirmou à BBC Brasil a assessoria de imprensa da empresa.

O Ministro de Agricultura Elias Jaua explicou nesta quinta-feira que somente a fábrica processadora de arroz será expropriada e disse esperar estabelecer um acordo "amigável" com a empresa, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo.

Ao ordenar a expropriação, Chávez não havia deixado claro se a decisão também abarcaria toda a cadeia de produção da Cargill no país, que além de arroz, produz óleo vegetal, farinhas, massas, temperos e ração para animais.

Chávez deverá firmar nos próximos dias o decreto que declara a fábrica de arroz da Cargill como de utilidade pública.

O governo alega que a multinacional, assim como outras empresas do ramo que atuam no país, têm se negado a respeitar o congelamento de preços determinado pelo Executivo e estariam deixando de produzir o arroz branco, produto regulado. No seu lugar, as indústrias estariam processando outros tipos de arroz, que custam o dobro do preço e não são afetados pelo tabelamento.

A multinacional também teria sido flagrada por representantes do governo transportando arroz produzido na Venezuela para a fronteira com a Colômbia, procedimento considerado ilegal.

"A empresa evidentemente queria contrabandear (o arroz) para a Colômbia", informou o vice-ministro de Agricultura, Richard Canán, a Chávez, durante uma reunião do Conselho de Ministros, transmitida pelo canal estatal na noite da quarta-feira.

De imediato, Chávez ordenou a expropriação. "Inicie o processo expropriatório da Cargill e comece uma investigação judicial. É uma violação flagrante a toda (a legislação)", afirmou o presidente ao dar instruções ao ministro de Agricultura.

Ainda não se sabe quanto poderia ser pago pela aquisição da companhia, mas o presidente tem advertido que as expropriações poderiam ser pagas com bônus da dívida, e não com dinheiro.

Para evitar o que considera como "evasão" à legislação, o governo baixou uma lei que obriga as empresas a destinarem 80% da produção ao arroz branco e o restante para as demais variedades. No sábado, Chávez ordenou uma intervenção militar temporária em todos os silos de arroz do país para garantir a produção do cereal regulado.

Representantes dos setores agroindustriais rejeitaram a medida, alegando que a intervenção é contraproducente e viola a liberdade econômica dos produtores.

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