CARACAS (Reuters) - Um grande apagão ocorrido neste domingo na Venezuela foi o mais recente de uma série de falhas no setor de energia elétrica do país. Os seguidos problemas têm se tornado uma desvantagem política para o presidente Hugo Chávez na nação que faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). As operações relativas à produção de petróleo no país, um dos maiores exportadores do mundo, não foram afetadas por usarem uma rede de energia elétrica distinta da residencial, disse o porta-voz de uma empresa estatal.

O apagão de domingo atingiu áreas dentro e fora da capital Caracas, pelo menos outras três grandes cidades e uma região turística na costa, segundo moradores. Uma autoridade do setor de energia disse ao canal de TV estatal que oito estados centrais foram afetados, embora o fornecimento de energia elétrica estivesse sendo gradualmente reestabelecido em algumas áreas.

Chávez, que estatizou a maior empresa privada de energia no ano passado, admitiu que a Venezuela tem uma infra-estrutura deficiente no setor devido a anos de pouco investimento.

Enquanto ele alerta eleitores de que melhorias devem levar tempo, as pesquisas mostram venezuelanos cada vez mais preocupados com os apagões, antes das eleições regionais no país, daqui a pouco mais de um mês.

Pela primeira vez em sua carreira política, Chávez perdeu uma votação no ano passado -- um referendo sobre a ampliação de seus poderes -- em parte porque os venezuelanos estavam decepcionados com seu fracasso em resolver problemas básicos como a escassez de alimentos periódica.

Analistas políticos dizem que, agora que ele conseguiu resolver a problema dos alimentos, os apagões poderão simbolizar para os eleitores os fracassos de Chávez.

(Reportagem de Patricia Rondon e Saul Hudson)

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